segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Apenas para constar


Recebemos, no dia 29/11/2009, mais precisamente às 17:12:27, a seguinte visita:




O que querem eles?

domingo, 29 de novembro de 2009

A REVOLUÇÃO RELIGIOSA NO SEIO CATÓLICO BRASILEIRO

Para compreendermos a verdadeira Revolução que ocorreu no Brasil sob a regência colegiada da CNBB, no período que se seguiu ao Concílio Vaticano II, precisamos, primeiramente, compreender a situação do mundo católico antes do Concílio. Evidentemente, houve, principalmente desde o século XIX, um enorme combate por parte da Igreja contra o pulular de doutrinas heréticas que circundavam os meios católicos.

Gregório XVI, Pio IX e Leão XIII batalharam no século XIX contra diversas correntes de pensamento que então surgiam. Gregório XVI lutou contra o Liberalismo do Pe Felicité de Lamennais, através da Encíclica Mirari Vos, publicada em 15 de agosto de 1832; Pio IX publicava, em 8 de dezembro de 1864, a Encíclica Quanta Cura, contra o laicismo do Estado, e o Syllabus Errorum; Leão XIII condenara, através da Encíclica Libertas, a doutrina da Liberdade Religiosa.

Já no século XX, São Pio X, em 8 de setembro de 1907, publicava a Encíclica Pascendi Dominici Gregis, que condenava o Modernismo de Loisy, Tyrrel e Murri, como “síntese de todas as heresias”. Em 1910 o mesmo Papa condenava a Marc Sangnier com a sua “liberdade e igualdade na política”, através da Encíclica Notre Charge Apostolique. Pio XI, em 6 de janeiro de 1928, condenava o movimento ecumênico que negava a Unidade da Igreja e que queria promover a unificação de todos os cristãos.

Entre os precursores mais próximos do Concílio, podemos destacar o “Movimento Litúrgico”, obra de beneditinos, sobretudo de Dom Lambert Beauduin. Este movimento impulsionou o que foi chamado de ativismo litúrgico. Termos como “concelebração entre padres e fiéis” começavam a fazer parte da linguagem eclesiástica. A influência deste movimento foi ecoada aqui no Brasil principalmente pelos beneditinos do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. Apareciam vocabulários inovadores nos meios “intelectuais” católicos. Segundo Julio Fleichman, no Mosteiro “havia uma Missa mais ou menos escondida, às 7 da manhã de um dos sábados de cada mês, em que o oficiante celebrava “versus populum””. [1] Pio XII trabalhou para conter estes sinais de progressismo, porém, num mundo entre guerras, a atenção de muitos pastores se dispersava e a palavra do Pontífice caia no esquecimento. Para conter os excessos do Movimento litúrgico que tomava forças, Pio XII escreveu a encíclica Mediator Dei, em 1947. Este mesmo Papa identificava, já naquela época, o surgimento de uma nova teologia. Este termo “nova teologia” foi reprovado na Alocução Quamvis inquieti, de 22 de setembro de 1946. Os seus intelectuais exigiam um retorno ao que chamavam de fontes, para “libertar os dogmas” dos elementos do pensamento aristotélico-tomista.

No que tocava às obras de apostolado católico, instituições fundadas por recomendação do Papa Pio XI (a Ação Católica por exemplo), estas começavam a se desviar dos seus objetivos iniciais. Estes movimentos foram se alinhando a um bispo com tendências esquerdistas, seu nome era Hélder Câmara.

No âmbito da Filosofia e Teologia católicas, pensadores como Jacques Maritain já se faziam ouvir. Em Roma, os jesuítas que predominavam na Comissão Bíblica Pontifícia e no Instituto Bíblico, começaram a sua obra de ralliement biblique. Idéias de protestantes como as do “teólogo” Bultmann, questionavam a autenticidade e a historicidade das Sagradas Escrituras. Porém, com a descoberta dos chamados “Documentos do Mar Morto”, a argumentação dos racionalistas caiu por terra, pois os evangelhos puderam ser datados acerca do ano 50 e não no fim do primeiro século como queriam os modernistas. Para eles, os Evangelhos teriam sido resultado de um conjunto de escritores anônimos da Comunidade, que exprimiam apenas sentimentos pessoais e não os fatos históricos reais.

O século XX, como sabemos, foi de grandes turbulências. Duas grandes guerras mundiais aconteceram, revoluções por todas as partes do mundo, cortinas de ferro e, conseqüentemente, enormes mudanças nas formas de pensar e agir das sociedades em geral. Foi o século em que mais se falou em dignidade, paz e direitos humanos. Ao mesmo tempo foi o século com o maior número de genocídios em série da História. Neste tempo de guerras, os padres e bispos, principalmente na Europa, não puderam se aplicar como antes num profundo estudo da escolástica. Diversos Seminários foram completamente destruídos pela guerra, e na Europa Oriental os exércitos vermelhos impunham o terror e perseguições à Igreja.

Neste contexto de ânsias por um mundo novo, palavras como paz, justiça social e igualdade encontravam ressonância cada vez maior. João XXIII em Mater et Magistra, 1961, já falava no dever de incluir o progresso da socialização em nossa época. Em 1962 chegava ao Brasil o fenômeno Teilhard de Chardin, um jesuíta que fazia sucesso com os livros que publicava. Chardin pregou o evolucionismo e o relativismo dentro da religião. Sobre este fenômeno escreveu Mons. Proença Sigaud, quando consultado por João XXIII sobre as decisões que deveriam ser tomadas no Concílio:

“Dos seminários e da própria Cidade Santa retornam seminaristas imbuídos das idéias revolucionárias , definem-se eles como “maritainistas” e são “discípulos de Teilhard de Chardin”, “socialistas católicos”, “evolucionistas”. É raro que um sacerdote que impugna as idéias da Revolução seja elevado à dignidade episcopal; e também é freqüente que isto ocorra a quem as promove.” [2]

No entanto ainda havia alguém no Vaticano que vigiava, o Cardeal Ottaviani. A avalanche era grande e encontrava apoio de João XXIII, mesmo assim este Cardeal publicou um Monitum, ou seja, uma advertência formal e pública que demonstrava que as obras de Teilhard de Chardin continham ambigüidades e erros doutrinários graves. O Vaticano II, todavia, segundo Dom Waldyr Calheiros, recuperou Teilhard já excluído e silenciado pela Igreja.[3]

Mas o que a maioria dos eclesiásticos queria agora era um mundo melhor e por que não, se queria-se mudar tudo, uma igreja melhor. Se queriam um novo mundo por que não almejar uma nova religião? Estes anseios de mudanças e de conciliações com a Nova Ordem Mundial que nascia, desaguaram no Concílio Vaticano II[4] e tiveram proporções mundiais, através dos seus desdobramentos. A nova religião do Concílio teria agora a sua base no culto do homem, ou seja, no Humanismo Integral de Maritain. Assim discursava Paulo VI no encerramento do Vaticano II:

“O humanismo laico e profano apareceu, finalmente, em toda a sua magnitude, desafiando o Concílio. A religião do Deus que se fez homem encontrou-se com a religião (porque tal é) do homem que se faz Deus (grifo nosso). Que aconteceu? Combate, luta, anátema? Tudo isto poderia ter-se dado, mas de fato não se deu. (...) Com efeito, um imenso amor para com os homens penetrou totalmente o Concílio. (...) Vós, humanistas do nosso tempo, que negais as verdades transcendentes, daí ao menos este louvor e reconhecei este nosso humanismo novo: também nós, e mais do que ninguém, somos cultores do homem (grifo nosso). (...) Uma corrente de interesse e de admiração saiu do Concílio sobre o mundo atual.”[5]

Instalava-se, portanto, no Vaticano, a religião do culto do homem e que solicitava o louvor dos humanistas ateus. Não existiriam mais anátemas e lutas contra as heresias. A religião do Concílio declarava-se agora “escrava da humanidade”. [6]

Diante da hierarquia, os leigos de agora em diante passariam a ter papel primordial na obra de “humanização” do Concílio:

“Por sua parte, os sagrados pastores reconheçam e tornem efetivas a dignidade e responsabilidade dos leigos na Igreja; aproveitem de bom grado o seu conselho prudente, confiem-lhes tarefas para o serviço da Igreja, e deixem-lhes liberdade e campo da ação (grifo nosso); animem-nos mesmo a empreender outras obras por iniciativa própria. Considerem atentamente, diante de Deus, com paternal afeto, as iniciativas, as propostas e os desejos manifestados pelos leigos. Enfim, os pastores hão de reconhecer respeitosamente a justa liberdade que a todos compete na sociedade terrestre.”[7]

Tínhamos diante de nós as primeiras receitas do que aqui na América Latina assumiu o nome de CEB (Comunidades Eclesiais de Base). Mas faltava uma última característica, que também fez parte destas comunidades que posteriormente surgiriam: o ecumenismo.[8] Nisso o Concílio também pensou. Uma das principais notas de visibilidade da Igreja, a unicidade, seria agora esquecida e os padres conciliares empenhar-se-iam em empreender uma Unitatis Redintegratio. Ora, o credo católico reza assim: Et UNAM sanctam catholicam et apostolicam Ecclesiam. Se a Igreja é una, que unidade o Concílio queria reintegrar?


Desdobramentos do Concílio para a América latina: Medellín, Puebla e a Teologia da Libertação


O primeiro desdobramento conciliar foi a Conferência de Medellín, que ocorreu em 1968, ali foram lançadas as bases do que chamou-se Teologia da Libertação. Nesta ocasião, Gustavo Gutierrez e Hugo Assman explicitaram suas doutrinas que se refletiam no campo da Filosofia e da Teologia. Não são poucos os que afirmam que foi Dom Eugênio de Araújo Sales, considerado hoje conservador, quem trouxe o germe da Teologia da Libertação para o Brasil. Aqui Dom Hélder Câmara regou e Leonardo Boff colheu.

Com o apostolado livre para os leigos e com a influência dos protestantes de esquerda por via ecumenismo, o campo estava aberto para as Cebs, pois o “marxismo influenciou profundamente o pensamento teológico protestante, de onde passou para os católicos, através das obras de outros autores como Karl Barth, Hromadka, Jürgen, Moltmann, entre outros, cujas doutrinas encontram ressonância em teólogos católicos como Ernest Bloch e Hans Küng.” [9] O poder na Igreja deixava de ser monárquico, passando agora a ser colegiado.[10] Quem poderia parar as Cebs? Realmente, enquanto tínhamos - pelo menos com Castelo Branco, Costa e Silva e Médici - governantes conservadores, em contrapartida passávamos a ter uma igreja às esquerdas. Os hábitos religiosos não eram mais utilizados, a não ser para enfrentar os militares, como aconteceu com os dominicanos em São Paulo. Desde o Concílio haviam parado de usar os hábitos, mas quando eram procurados pelo exército sob suspeita de estarem dando refúgio aos comunistas subversivos, o que depois se confirmou, estes os vestiam para fazerem pressão psicológica. Eram os primórdios da militância do “marxismo católico.”

O que estamos expondo aqui é que, segundo a doutrina perene da Igreja, a teologia da libertação é contrária à Revelação, pois baseia-se no que chama de realidade. Como o Evangelho não dá margem para a análise pretendida pelos teóricos da Libertação, estes recorreram ao marxismo para corroborar seus anseios. Assim vejamos o que disse um dos patriarcas desta corrente:

“Neste momento de racionalidade e objetividade, o teólogo pode se utilizar do aporte da teoria marxista (...) O que propomos não é teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da Teologia”.[11]

No entanto, marxismo e catolicismo são termos intrínsecamente opostos, por isso assim ensinou o Papa Pio XI:

“Católico e socialista são termos antitéticos. E se o socialismo, como todos os erros, tem em si algo de verdade (o que é certamente nunca negaram os Romanos Pontífices), se apóia, todavia, em uma doutrina sobre a sociedade humana- doutrina que lhe é própria -, que destoa do verdadeiro cristianismo. Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios. Ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista.” [12]

O termo marxismo teológico não somente é um paradoxo para o âmbito da religião, mas, igualmente, para o próprio marxismo. Os patriarcas do comunismo ateu, Marx e Engels, consideravam que a teologia, a filosofia e a ética não representavam nada de real. Todos estes elementos seriam conseqüências da emancipação imprudente da consciência em relação ao mundo, pois “o marxismo considera que os homens preocupados com o assunto da sua salvação eterna – uma salvação concebida como uma felicidade perfeita depois da morte e que consiste na gloriosa eterna convivência com Deus – estão “alienados”, e que esta alienação debilita a sua preocupação pelos assuntos deste mundo, o qual para os marxistas é o único mundo real. Neste sentido Marx fala da Religião como o “ópio do povo”.” [13]

Esta corrente teológico-revolucionária, evidentemente, não se limitou ao plano teórico, pois foi tomando corpo com a Cebs. Dom Moacir Grechi, bispo prelado do Acre e Purus, foi quem definiu as cebs como a parte concreta da Teologia da Libertação. Dom Waldyr Calheiros aí entrava como o bispo que dilatou este projeto como organizador do 1º Encontro Latino-Americano das Cebs e presidente do 4º Encontro Nacional das Cebs. Para ele também a Teologia da Libertação tem a sua práxis nas Cebs.

Tudo começava a mudar. Surgia em 1970 um novo rito da Missa e novas fórmulas para os sacramentos eram impostas. Tudo isso propiciou a implementação das Cebs, pois se ainda perdurassem o latim na liturgia, o respeito pelo sagrado e as devoções populares como procissões, rosários e vias-sacras, os gritos dos “excluídos” (revolucionários) não teriam voz. Por isso os sacramentos passariam a ser ação da comunidade celebrante. As devoções do povo católico seriam substituídas por simulacros recheados de socialismo, como, por exemplo, ao invés de procissões, teríamos agora as chamadas “caminhadas da terra.” Segundo o Pe. Dr. Poradowski “os marxistas aplicaram o método, profundamente psicológico e eficaz, da graduação. Primeiro, por uma propaganda adequada (durante retiros espirituais “jornadas”, “encontros”, “congressos”, etc., e em artigos de revistas teológicas) efetuou-se uma “lavagem cerebral” de uma parte do clero, procurando eliminar a formação e a educação recebidas nos Seminários e Universidades. Depois pôde-se inocular em pequenas doses a cosmovisão marxista, e especialmente o conceito marxista de cristianismo.”[14]

Há, portanto, um verdadeiro contraste entre a Igreja Vertical, ou seja, voltada para Deus, e a igreja horizontal, voltada para o homem. Que pensar, por contraste, do sacerdote, do ministro de Deus, do pastor de almas, que raras vezes fala sobre Deus; que evita os temas “escabrosos” do pecado e da graça, do céu e do inferno, da cruz e do sacrifício; que não dedica praticamente tempo nenhum à confissão; que se desinteressa dos candentes problemas da falta de vocações sacerdotais, da multidão de pessoas que ficam sem atenção pastoral e sem sacramentos, da tremenda crise do ensino católico, etc.?[15]



[1] FL

[1]FLEICHMAN, Julio. A Crise é de Fé e é Grave. Permanência: Rio de Janeiro, 1994.

[2] Atas e Documentos do Concílio, Série I, Vol. II, parte VII, págs. 180-195.

[3] O Bispo de Volta Redonda, p. 35

[4] “Não se trata, apenas, de uma série de desastres que coincidem cronologicamente com o Concílio, nem de uma relação causa-efeito evidente a qualquer mente lúcida.É que, após o Concílio, toda novidade heretizante, toda desordem, todo relaxamento disciplinar se reclama expressamente do Concílio, que é sua réplica universal.” (cf. CASTRO, Mons. Dr. Emílio Silva de. Liberdade Religiosa e Estado Católico. Dinigraf: Rio de Janeiro, 1995, p. 9)

[5] Documentos do Concílio Vaticano II, p. 668 e 669

[6] Documentos do Concílio Vaticano II, p. 671

[7] Documentos do Concílio Vaticano II, p. 157

[8] O Papa Pio XI em 1928 condenou o ecumenismo através da encíclica Mortalium Animos.

[9] PORADOWSKI, Pe. Dr. Miguel. A Gradual Marxistização da Teologia. São Paulo, 1975, p 7.

[10] O regime único da Igreja é Monárquico, faz parte da essência da mesma. É o que faz com que seja a Igreja e não outra coisa.

[11] Leonardo Boff. Marxismo na Teologia, in Jornal do Brasil, com data de 6 de abril de 1980.

[12] DENZINGER, Barcelona, 2270.

[13] PORADOWSKI, Pe. Dr. Miguel. A Gradual Marxistização da Teologia. São Paulo, 1975, p. 16

[14] PORADOWSKI, Pe. Dr. Miguel. A Gradual Marxistização da Teologia. São Paulo, 1975, p 7

[15] LANGLOIS, J. Miguel Ibañez. Igreja e Política. Quadrante: São Paulo, p.12




sábado, 7 de novembro de 2009

A BULA CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO, comentários do Prof. Tomás Tello Corraliza, catedrático espanhol em língua latina




Introdução

Abundam os comentários sobre esta Bula – parciais ou totais – desde que, por causa do comportamento dos “papas” conciliares, veio à tona a princípios da década de dos 70.

Talvez, o leitor se pergunte: “Para quê um comentário a mais, existindo já tantos? Respondo que sempre será bom que este tema, concretamente, que deu origem a inflamadas polêmicas, seja renovado com novos pontos de vista.

Meu objetivo não é seguir o texto em um comentário linear, desde a introdução até o ponto 10, segundo o proceder comum dos autores, como se sugere já no título: “Variações...”

Trata-se de considerações ou reflexões sobre diversos aspectos aplicáveis à Bula: legais, canônico-teológicos, históricos, lingüísticos, críticos...

Nem tenho que dizer que, para a construção de meu trabalho, aproveito, ao máximo, os materiais e idéias, que contribuem os comentários dos autores que me precederam.

Considero esta Bula um documento eclesiástico de importância capital para a salvaguarda da Fé - função principalíssima do sucessor de Pedro – e insuperavelmente apta para ter evitado a presente crise, se a tivessem levado em conta e se a tivessem observado zelosamente “ad unguem”, segundo o que prescreveu São Pio V.

No meu juízo, aqui está a chave do Mistério da Iniqüidade, anunciado por São Paulo. Por isso, nunca será inoportuno refletir sobre este documento excepcional, tão subestimado durante tantos séculos.

Por trás desta breve introdução, ofereço bibliografia básica de autores de diversos países e de tendências diametralmente opostas.


I- ASPECTO LEGAL “IN GENERE”

Nesta parte se considera a CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO na sua condição de lei. Esta Bula de Paulo IV institui uma lei. É uma lei com todas as formalidades de uma lei. Possui, com efeito, todos os elementos estruturais de sua essência, assim como todos os elementos que a integram. Isto salta à vista, e não haveria necessidade de insistir nisso, se não fosse para anular os esforços dos inimigos da Bula para tirar-lhe toda importância legal e reduzi-la a pouco menos que papel molhado.

Segundo a definição de Santo Tomás, “Lei (in genere) é uma ordenação da razão dirigida ao bem comum e promulgada pelo que preside a comunidade.”

A causa final de toda lei é procurar o bem comum da sociedade e questão; neste caso, o da Igreja.

O fim é o objetivo a que tende a operação da causa eficiente ou sujeito agente racional. O fim é o que o impulsiona a operar. Daí, que a causa final é chamada “Causa causarum”, Causa das causas.

O bem comum das leis eclesiásticas não é outro que o procurar e facilitar a salvação das almas. “A Igreja – diz Pio XII – deve conduzir os homens a Deus... A Igreja não pode perder de vista jamais este fim estritamente religioso, sobrenatural. O sentido de todas suas atividades, até o último cânon de seu Código, não pode ser outro que o de concorrer a ele diretamente.”

Isto não quer dizer que cada lei eclesiástica seja a melhor para alcançar este fim... Vejamos se a Constituição Apostólica de Paulo IV se orienta ao mesmo, e em que grau de perfeição o faz.

Os projetos de lei surgem, amiúde, devido a situações conjunturais, que põem em relevo sua necessidade para evitar um mal à sociedade ou contribuir da melhor forma ao seu fim.

Na parte expositiva da lei costuma ser manifestada a conjuntura que a exige. É a ratio legis, a razão da lei.

Paulo IV expõe na Introdução de sua Bula:

a) O motivo que o impulsionou a estabelecer a lei, que não é outro que o gravíssimo dever que pesa sobre ele, por seu cargo de cuidar de toda a grei do Senhor, procurando-lhe pastos sãos, e apartá-la dos venenosos. (“Cum ex Apostolatus Officio... cura dominici gregis nobis immineat generalis, et exinde teneamur pro fideli illius custodia et salubri directione,...).

b) A conjuntura que imperiosamente está exigindo essa lei, a saber, “a rebelião desenfreada, de virulência insólita contra a Fé, do movimento protestante, assim como a perversão do sentido da Sagrada Escritura; circunstâncias que poderiam pôr em gravíssimo perigo as ovelhas, quanto ao fim da Igreja. (“ut qui hac aetate,... propriae prudentiae innitentes licentius et perniciosius solito contra ortodoxae fidei disciplinam insurgunt... catholicae ecclesiae unitatem... scindere moliuntur...”)


c) E a finalidade da mesma, que não é outra que reprimir a audácia dos herejes, com o fim de que não se intrometam no redil do Rebanho de Cristo. (“ut ab ovili Christi repellantur ne magisterium erroris continuent, que discipuli veritatis esse contemnunt.”)

Vemos que o impulso que moveu a Paulo IV, é o mesmo que moveu sempre os Papas a tomarem medidas para salvaguardar o Depósito da Fé, sem a qual é impossível agradar a Deus e que, portanto, tornaria absolutamente impossível o fim da Igreja, que é a salvação das almas.

São Pio X, ao publicar sua Encíclica PASCENDI, não esgrime outro motivo que o do seu gravíssimo dever. Eis aqui suas palavras: “Ao ofício de apascentar a grei do Senhor...”

Esse dever gravíssimo excitava a consciência de um e outro pontífice para não calar: “ne canes muti videamur” para não parecer cães mudos – dizia Paulo IV e São Pio X: “Guardar silêncio não é já decoroso, se não queremos ser infiéis ao mais sacrossanto de nossos deveres.” Esse dever primordial se põe em relevo, como Verdade de fé, no Magistério.”

Quanto à conjuntura, é similar em ambas as ocasiões. Trata-se de conjurar um perigo certo, iminente, para a integridade da Fé. Mas, encontro aí uma diferença notável.

Com efeito; nos tempos de Paulo IV, os lobos rodeavam os confins dos redis. Tanto que, nos tempos de São Pio X, invadiam-nos milhares disfarçados com pele de ovelha, que podia ser, ou era na realidade, uma batina, uma mitra ou chapéu cardinalício.

Continuemos com o paralelismo. O fim concreto, imediato, que se propôs São Pio X foi o de detectar “aos adictos do erro, que se ocultavam no seio e mesmo dentro do coração da Igreja; aos que tramavam sua ruína, não de fora, mas de dentro... com um perigo muito maior, quanto mais a fundo conhecem a Igreja.”

Paulo IV, em contrapartida, naquelas circunstâncias, se prontificou, com visão profética que estremece e com a máxima prudência de serpente, em fazer impossível a entrada no redil aos lobos que, como se disse, tentavam, então, invadi-lo.

Pergunto-me: Podia ter sido evitada a invasão? Desde cedo, se tivessem aplicado com todo rigor – ad unguem, segundo a ordem de São Pio V – as sapientíssimas medidas cautelares da Bula de Paulo IV.

Todavia, na situação descrita por São Pio X, era muitíssimo mais difícil extirpar o câncer que, metastático, tinha invadido o corpo eclesiástico, afetando a órgãos vitais.

Isto não quer dizer que este câncer possa causar a morte da Igreja. Esta não pode morrer, pois, seu divino Fundador empenhou Sua palavra de sua continuidade até a consumação de tudo. “As portas do inferno não prevalecerão.” Mas, mesmo assim, eles a colocaram num transe de agonia, como é evidente; até que uma intervenção divina ponha ponto final a esta situação, devolvendo-lhe todo seu vigor.

Causa eficiente

A existência da lei se deve à vontade do superior legítimo da Comunidade. Suponhamos um projeto de Lei, realizado por um experto jurisconsulto, ótimo para alcançar o objetivo do bem comum; esta lei, considerada de maneira abstrata como não podendo ser melhorada, jamais chegará a ser lei, se não a promulgar o chefe supremo da Comunidade.

Neste caso, temos o elemento exigido para a existência da lei: A promulgação (“Leges instiuuntur cum promulgantur”, Canon 8), a “Iussio publicandi”, por parte da legítima autoridade do Papa Paulo IV, em 15 de fevereiro de 1559, dando a ordem de publicação (nº IX da Bula) e divulgação, com o modo e termos em que se fazia por aquelas datas, segundo pode-se ver na Bula de São pio V “QUO PRIMUM TEMPORE”, ou na de Sixto V “POSTQUAM VERUS”, para citar alguns exemplos.

Ademais, para lhe dar maior ênfase e solenidade, Paulo IV a submeteu a deliberação com seus Cardeais e quis redigi-la de acordo com eles e com seu consenso. Ao final, os cardeais confirmaram-na com suas assinaturas. Foi uma Constituição das chamadas Consistoriais, pelo fato de os cardeais terem-na assinado também.

Este dado se opõe radicalmente aos detratores da Bula, que vêem nela somente o capricho e arbitrariedade de Paulo IV e um zelo desordenado.

Como a lei é um ordenamento da razão, um ditado da razão prática ou preceito, este, além de justo, deve ter a condição de:

a) Obrigatoriedade
b) Estabilidade


Agora bem, a intenção de obrigar emerge com ênfase e força, desde o início ao fim, com a sanção final do ponto final (X):

“A ninguém será lícito infringir esta página... nem contradita-la com temerária ousadia. Mas, se alguém intentar, saiba que incorrerá na indignação do Deus todo poderoso, etc.”

Quanto à sua estabilidade, ele a reafirma explicitamente: “perpetuo observari” (II) (deve-se observar perpetuamente) e “hac nostra in perpetuum valitura constitutione” (por esta nossa constituição que terá validade perpétua), (III).

Quero fazer constar – é um dado que explicitamente não encontrei em nenhum autor – que se trata de uma lei basicamente inabilitante e irritante, segundo se põe em relevo nos pontos III, V e VI. É o fim primário a que se propôs Paulo IV. É o fio condutor da Constituição.


II - ASPECTO CANÔNICO-TEOLÓGICO

No primeiro artigo, considerou-se a Bula “Cum ex Apostolatus Officio” como lei “in genere”. Neste, a consideração se centrará em sua especificidade de lei canônica; isto é, como integrada no conjunto de leis promulgadas pela Igreja, que recebe o nome de Direito Canônico, o mais comum dentre outros, que se aplicam: sagrado, religioso, eclesiástico, etc.

Objetivo do Direito Canônico é ordenar os meios mais convenientes para o bem geral da Sociedade fundada por Cristo e orientá-los a facilitar a eterna salvação de seus membros, que é o fim da Igreja.

A Constituição “Cum ex Apostolatus Officio” pertence ao Direito Canônico antigo, segundo se denomina todo o Direito Eclesiástico anterior ao Código de 1917.

O Direito Canônico está em íntima conexão com a Teologia, e isto por várias razões:

I) Por suas fontes: a Revelação e a autoridade da Igreja, imposta pela mesma Revelação divina.
II) Pelo seu objeto material: Constituição e regime da Igreja, direitos e obrigações do clero e fiéis, no plano social e em suas relações mútuas.
III) Em razão do seu fim: a salvação das almas.


Mas, Direito Canônico e Teologia, se diferenciam em razão do seu objeto formal; pois, a Teologia o considera sob o aspecto da Fé, nas relações pessoais do fiel com Deus, em contrapartida, o Direito Canônico se orienta à práxis na ordem social segundo as exigências, por suposto, da mesma Fé. Por isso foi dito que o Direito Canônico é uma Teologia prática.

Mas que relação existe entre o Direito antigo e o Direito codificado em 1917? Pois, uma relação de continuidade, sem fissuras quanto ao substancial. É o mesmo Código que faz constar, no seu Cânon 6, que entre este e o Antigo, não existe, em seu conjunto, diferença essencial. O Código – se diz na introdução do Canon citado – conserva, na maioria dos casos, a disciplina até agora vigente, ainda que não deixe de introduzir oportunas variações.

Este mesmo Cânon, em seus seis parágrafos dispositivos, descreve com nitidez insuperável, as circunstâncias em que são mantidas, com todo o seu vigor, as Leis do Direito antigo.

I – Neste parágrafo, se dá a forma geral de que todas as leis se oponham ao Código, a não ser que expressamente seja prevista outra coisa, ficam abrogadas.

II – Quanto aos cânones que reproduzem o Direito antigo, estes devem ser avaliados de acordo com esse Direito...

III – Os cânones que somente em parte concordam com o direito antigo hão de ser avaliados conforme este, na parte que concordam; no que discrepam deve prevalecer o sentido do Código.

IV – Na dúvida, prevalece o Direito antigo. In dubio – diz o Cânon – a veteri iure non est recedendum.

V – No que se refere às penas, há que se ater às que estabelece o Código, ficando absolutamente abolidas todas as penas do Direito antigo que discrepem das estabelecidas no Código.

VI – Quanto às leis disciplinares, vigentes até a promulgação do Código, se, nem explícita nem implicitamente, estão contidas no Código, há que se decidir que perderam todo seu valor, exceto no caso em que se encontrem nos livros litúrgicos aprovados, ou se trate de leis de DIREITO DIVINO, seja POSITIVO, seja NATURAL.

Conclusões que se impõem

Há que se dizer, em primeiro lugar, que as disposições penais da Bula, que não se ajustem às prescrições penais do Código perdem o seu valor. E isto, por uma simples razão. A Igreja, por direito divino, tem o dever de impor castigos. Bem, a modalidade e medida concreta da pena aplicável a cada delito é uma disposição de direito eclesiástico, sempre que a pena concreta não for de direito divino, como, por exemplo, os delitos contra a Fé, que por sua própria natureza, “suapte natura”, como ensinou Pio XII, implicam na excomunhão.

Portanto, creio que não vale a pena travar um debate sobre a validade absoluta das disposições penais da Bula, já que as que são de direito divino – como não podia ser menos – constam no Código. O debate deveria centralizar-se sobre a parte disciplinar da Bula, para calibrar o valor dessa lei, sobretudo, no que tem de irritante e inabilitante.

Agora, o que não pode dizer-se sem manifesta temeridade ou má Fé, é que a Bula Cum ex Apostolatus Officio tenha perdido todo seu valor enquanto lei. Sua vigência fica proclamada no Cânon 6. Isto é evidente para qualquer um que o leia sem juízos prévios, seguindo a norma destacada no Cânon 18, isto é, atendo-se à significação própria das palavras, consideradas no texto e no seu contexto.

Com efeito, segundo o nº 2 do Cânon 6, o Cânon 188, 4, reproduz em sua essência, a lei inabilitante do nº 3 da Bula de Paulo IV. Cotejemos o Cânon 188, 4 com o parágrafo terceiro da Bula.

Can. 188, 4: Ob tacitam renunciationem ab ipso iure admissam quaelibet officia vacant ipso facto et sine ulla declaratione si clericus a fide catholica publice defecerit

Nº 3 da Bula: Hac nostra in perpetuum valitura constitutione... sancimus, statuimus, decernimus et definimus quod... qui hactenus... deviasse, aut in haeresim incidisse... deprehensi, aut confessi, vel convicti fuerint, et in posterum deviabunt... (ultra sententias, censuras et poenas praedictas) sint etiam eo ipso, absque aliquo iuris aut facti ministério... suis beneficiis et officiis eclesiasticis... penitus et in totum perpetuo privati...

Cânon 188, 4: “Em virtude da renúncia tácita admitida pelo mesmo Direito, ficam vacantes, ipso facto, e sem alguma declaração, todos os ofícios, se o clérigo se desvia publicamente da Fé católica.”

Teor da Bula: “... por esta nossa Constituição, que será valida perpetuamente... sancionamos, estabelecemos, decretamos e definimos que os que, até o presente, houvessem sido surpreendidos, ou fossem confessos ou convictos de terem-se desviado (da Fé), ou incorrido em heresia, assim como os que, no futuro, se encontrarem nas mesmas circunstâncias, (além das sentenças, censuras e penas anteriormente citadas) devem ficar inteiramente, e para sempre, privados, pelo próprio direito, sem maior trâmite jurídico ou de fato, de seus benefícios e ofícios eclesiásticos.”

Aqui temos um caso patente do suposto parágrafo segundo do Cânon 6. O Cânon 188, 4, pois, reproduz a lei inabilitante da Bula de Paulo IV. Portanto, no caso concreto, a dita lei do Direito antigo conserva plena vigência e, além disso, de maneira prevalente na interpretação, já que o cânon do Código deve ser avaliado de acordo com a lei antiga que reproduz.

E não se pode argüir dizendo que a lei da Bula é desmesuradamente extensa, em comparação com a brevidade telegráfica do Cânon 188, 4. Deve-se ter em conta uma distinção importante entre a redação de um Código e a promulgação de uma lei.

Com efeito, nos códigos somente consta a parte essencialmente dispositiva da Lei, expressa da maneira mais exata possível, mas livre (ESCUELTA). Todavia, em sua promulgação, expõem-se as razões que exige a lei, quais são os meios mais adequados para alcançar seu objetivo, explicações, enumerações, digreções, etc. E mais, na Bula de Paulo IV, muito difusa, como poderá comprovar todo o que a ler, que, por afã de exaustividade, se dilata em enumerações intermináveis.

Portanto, a CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO, em seu aspecto disciplinar de lei irritante e inabilitante, mantém sua plena vigência na atualidade e, precisamente, o sentido e alcance da prescrição do Cânon 188, 4, deve se calibrar de acordo com o sentido e alcance da lei da Bula. E é sabido que as leis eclesiásticas, por sua íntima conexão com o Direito divino, se beneficiam da infalibilidade da Igreja, ao menos em sentido negativo. Isto é, que ao estar em conexão com as verdades reveladas (finaliter connexae), não podem conduzir ao mal, nem ser óbice para a salvação. Pio VI condenou como, ao menos errôneo, considerar perigosa ou nociva uma lei eclesiástica. (DS 2678)

Não obstante, se algum leitor se mostra cético sobre o Cânon 188, 4 que reproduz a lei inabilitante da Bula, vou-lhe conceder, generosamente, o benefício da dúvida.

Mas é o caso que, dado esse pressuposto, se chega aos mesmos resultados, pois, no caso de dúvida, o parágrafo 4 do Cânon citado (veja-se mais acima), prescreve que devemos nos ater ao Direito antigo: A vetere iure non est recedendum.

No apartado 6 do Cânon citado, se declara, sem o menor equívoco, que as leis de Direito Divino, seja positivo ou natural, conservam todo seu vigor, apesar de não constarem nem explícita nem implicitamente no Código.

Assim, pois, ainda que a lei inabilitante e irritante da CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO não constasse, em absoluto, no Código, nem por isso deixaria de ser uma lei ainda em pleno vigor; por ser uma lei de Direito divino, de dupla partida, isto é, positivo e ao mesmo tempo natural. Permita-me uma digressão.

As publicações sedevacantistas chegaram ao meu conhecimento com certo atraso – a partir de 1980, ou pouco antes – não obstante, tive notícias da posição sedevacantista pelo ano de 1969, através de publicações não sedevacantistas ou anti-sedevacantistas, como a CONTRE-REFORME CATHOLIQUE de George de Nantes, fanático impugnador do sedevacantismo e detrator dos sedevacantistas.

Esse padre – por causa de seu prestígio – manteve-me entre duas águas, até que conheci a Bula de Paulo IV, a princípios de 1977. O impacto que me causou sua leitura bastou para inclinar-me, de maneira firme, irrevogável e combativa, a favor do sedevacantismo: considerei esta postura como a única lógica, inteligente e fecunda na explicação e compreensão da atual crise eclesial.

George de Nantes havia afirmado no seu artigo, Hors de l’Eglise poin de salut (CRC n. 107, Jul. 1976), que não era lícito, nem sequer duvidar da legitimidade de Paulo VI.

Como reação a este artigo, escrevi uma carta a seu autor (4-8-1977) – à que não respondeu -, na que me confessava sedevacantista, baseado na Bula de Paulo IV; rechaçava sua categórica afirmação e mostrava as razões de minha posição.

Entre as razões alegadas, apelava eu ao Direito natural como fundamento da incompatibilidade intrínseca definida pela Bula. Fazia alusão à monstruosidade ou quimera, que descreve Horácio na “Epistola ad Pisones”, que resultaria do fato de que um elemento estranho a um corpo pudesse passar a ser, nada menos que sua cabeça. Esse enxerto – dizia – destruiria a natureza do corpo em questão, ao ser a cabeça que imprime seu comportamento.

A incompatibilidade é, pois, absoluta e, nessa absoluta incompatibilidade, precisamente, se basearam Cajetanus e São Roberto Belarmino para suas conclusões. Ainda mais: houve dois Papas que fizeram alusão expressa a essa incompatibilidade intrínseca, ontológica. Inocêncio III disse: “Cum nimis absurdum sit ut Christi blasphemus in Christianos vim potestatis exerceat.” Isto é, “por ser um absurdo total que um blasfemo de Cristo possa ter jurisdição sobre os Cristãos.” (In. III em IV Lateranense) E Leão XIII: Cum absurdum sit opinari... seria absurdo opinar que aquele que está fora da Igreja possa presidir na mesma.” E já se sabe que o absurdo qualifica a toda idéia que entranha contradição intrínseca...

Esta lei natural, prescindindo do conhecimento da prescrição do Cânon 188, 4 e da CUM EX APOSTOLATUS, a intuem e a aplicam os simples fiéis, guiados pelo simples “sensus Fidei.” Assim sucedeu nos primeiros que sobressaltaram ante o comportamento ambíguo de Roncalli, com relação à Fé, segundo expus no meu trabalho sobre o mesmo. (Cf. Kyrie Eleison, XII, 1993, n. 3, p. 35-40)

São vários os autores sedevacantistas que reconhecem, expressamente, na lei da vacância por heresia, uma lei de Direito natural. O Dr. Hugo Kellner, por exemplo, num escrito de 1967, se baseia, para chegar à conclusão da vacância da Santa Sé, nessa incompatibilidade intrínseca entre a falta de Fé e a Autoridade na Igreja. “...Portanto – disse – é o firme mantimento da Fé católica o fundamento de toda Autoridade na Igreja e a premissa indispensável de todos aqueles aspirantes a um cargo eclesiástico... E continua: “As formalidades canônicas são necessárias, mas não suficientes... Se somente bastassem os requisitos legais, ter-se-ia que aceitar a monstruosidade de que estivessem autorizados por Cristo, para assassinar alegremente as almas... por meio de sua doutrina e práxis.” (Cf. EINSICHT, I (3), Jun. 1971, p. 25-35 e I (4) Jul. p. 30-34)

Outros autores que, explicitamente, consideram incompatibilidade de Direito natural esta lei inabilitante, são Martin Gwyne, que fala de contradição lógica, e o Dr. Homero Johas, que a denomina “incompatibilidade ontológica.” Outros – como Michael Wildfeuer – a dão por suposta implicitamente. (Eins. II (2) M. 1972)

Insisto, é um absurdo que um membro alheio ao corpo, possa chegar a ser cabeça do mesmo. Não há corpo que o aceite, nem físico, nem moral ou jurídico.

Uma pessoa que não pertença a uma sociedade qualquer, fica, logicamente, excluída de ser presidente ou de formar parte da Junta diretiva da dita sociedade; e isto, sem necessidade de que exista prescrição expressa, em suas leis ou regulamentos. Seria supérflua. Trata-se de um rechaço lógico e natural.

Com efeito, um corpo admite ou pode admitir um transplante de qualquer outro membro, que não seja a cabeça, desde que isso não impeça seu funcionamento normal. No entanto, o transplante de uma cabeça faria com que ele tivesse um comportamento incoerente com sua própria natureza e com seu fim.

Resultaria em ser uma quimera. Nós poderíamos imaginar o comportamento de um ser humano que tivesse recebido num transplante a cabeça de um Gorila? Pois isso, e não outra coisa, é o que aceitam os sedicentes tradicionalistas, ao permanecerem integrados à monstruosa igreja conciliar. Eles são os que dão origem à quimera dessa igreja, mantendo a ilusão da segurança de pertencer à Igreja Católica verdadeira, apesar do regime de uma cabeça estranha. Admitem como Vigário de Cristo a um herege, e não querem ver que se trata de uma contradição in terminis.

Trata-se, pois, de uma lei inabilitante de Direito natural. É evidente. Mas, é, também, ao mesmo tempo, uma Lei de Direito divino positivo. Com efeito, o é, por constar expressamente na Revelação o fato de que a heresia, suapte natura, como ensinou Pio XII, separa automaticamente do Corpo Místico.

No Deuteronômio se prescreve: “... a um de teus irmãos tomarás para fazê-lo rei sobre ti; não poderás dar-te por rei um estrangeiro que não seja teu irmão.” (Dt. 17, 15)

São Paulo expressa essa incompatibilidade absoluta, apelando a uma hipótese limite: “mas ainda que nós ou um anjo baixado do céu vos anunciássemos outro Evangelho, distinto do que temos anunciado, que seja anátema! Eu vos disse antes e agora repito: Se alguém vos pregar outro evangelho distinto do que recebestes, seja anátema! (Gl 1, 8-9) É rigorosíssimo. Nas versões é costume traduzir o termo latino “preterquam” e o grego “parà”, por “contra”, mas, no meu parecer, o termo da tradução espanhola da BAC, “distinto”, expressa muito bem o matiz da preposição, tanto grega quanto latina.

São, assim mesmo, pertinentes e são citados com profusão os textos de Tit. 2, 1 e II Jo. 10-11. Por outra parte, a Tradição, como transmissora da Divina Revelação, é unânime neste aspecto. Ainda mais, essa Tradição é corroborada por declarações de diversos Papas como Adriano II, Inocêncio III e a solene definição de Paulo IV.

Nesse fundamento de lei divina insistem os comentaristas defensores da Bula, como pode observar qualquer um que a ler.

Quis Deus que essa lei natural fosse ratificada por uma lei divina positiva, dada a transcendência deste assunto, com o fim de que facilmente fosse conhecida por todos; assim, como por meio de Moisés foram promulgados os Mandamentos que eram leis naturais.

Portanto, por prescrição do mesmo Direito eclesiástico (C. 6, 6), a Bula, no que se refere ao fato concreto da lei inabilitante e irritante, mantêm todo seu vigor e é, por ela que deve ser interpretado o Cânon 188, 4 e não ao contrário, como fazem os adversários da Bula...


III – ASPECTO LINGUÍSTICO

A primeira coisa que saltou à vista ao ler pela primeira vez esta Bula, foi a dificuldade de captar o sentido pleno de vários de seus períodos gramaticais. É um texto latino que não se presta a uma fácil tradução às línguas vernáculas. É tarefa árdua.

Esta dificuldade é reconhecida e constatada por diversos autores, que tiveram o trabalho de traduzi-la para as suas línguas. Por exemplo, BRITONS disse: “Fairly complex Latin.” E em outro parágrafo: “Em nossa versão, temos nos esforçado em fazê-la o mais compreensível possível. Tarefa árdua, pois, a Constituição está redigida em estilo curial, e contêm orações demasiadamente largas e cheias de pormenores, que é preciso reler, atentamente, várias vezes, antes de captar plenamente seu sentido.”

Die Übersetzung Von der lateinischen in die deutsch Sprache war nicht leich, confessa o editor da versão alemã.

E o Dr. Homero Johas: “Para muitos, a tradução da Bula de Paulo IV parece obra difícil.”

O latim da Bula dista muito do latim de corte clássico, de que se faz gala em Encíclicas de Leão XIII, Pio XI ou Pio XII, por exemplo. No entanto, na CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO, em um estilo difuso e redundante, nos são oferecidos períodos intermináveis, enumerações, com pretensões exaustivas, incisos freqüentes, orações explicativas com manifestado afã de deixar as coisas claras e desfazer qualquer ambigüidade. Isto dá lugar a que se perda o fio condutor do discurso e a conexão entre os diversos enunciados. Há períodos que, entre o nexo e a palavra da oração subordinada à que afeta, estão separados por uma larga série de complementos e incisos.

Os autores costumam atribuir a dificuldade de tradução à desmesurada longitude, mais que ciceroniana, dos parágrafos, e à terminologia jurídico-canônica ou curial do texto.

Mas eu encontro algo a mais, que afeta mais negativamente a dificuldade de tradução; a saber, a falta de um adequado uso dos sinais de pontuação. É um texto muito parco no uso do ponto e do ponto e vírgula. A ausência de uma correta pontuação – fronteira semântica – danifica a devida coerência e coesão do texto. A isto, em grande medida, se devem as divergências nas várias versões dos diversos autores; já que são eles os que devem suprir, de acordo com seus próprios critérios, pontos, ponto e vírgula, parêntesis, etc. O qual não deixa de ser, em certa medida, subjetivo e exposto a uma interpretação alheia a do autor do texto. Não obstante, reconheço que há que se assumir este risco, para conseguir a devida coerência e coesão textual.
Mas, além dos fatores extrínsecos enumerados, existe o maior óbice, o fator intrínseco do arrevesado da construção oracional, em que se abusa da construção hipotática, ou orações subordinadas. Estas se sucedem em cascata e atropeladamente. Há parágrafos que se compõem integralmente de orações subordinadas. A introdução, por exemplo, está totalmente estruturada com orações subordinadas, com os verbos no subjuntivo ou na forma nominal, sem uma só oração principal com o verbo subordinante no indicativo, como normalmente; pois, os dois indicativos existentes formam parte de uma oração subordinada de relativo.

O tradutor deve suprir a hierarquização com esforço próprio, tomando uma das subordinadas como principal e fazendo girar a seu redor todas as demais.

O mesmo acontece com o parágrafo primeiro. Se queremos por ordem na versão e hierarquizar as idéias, devemos tomar o particípio “cupientes” como oração principal. No parágrafo II, o verbo indicativo, subordinante de todas as demais orações do larguíssimo período, se encontra no final: “Volumus” coordenado com “decernimus.”

Devido às dificuldades assinaladas, é difícil conseguir uma versão perfeita. Por isso, os autores das diversas versões costumam criticar como defeituosas as traduções anteriores à sua. Eu não sou uma exceção.

Com efeito, nenhuma das versões que conheço me satisfez plenamente. Por este motivo, ofereço a minha – uma nova versão espanhola – com a esperança de conseguir uma maior perfeição e matização no sentido de alguns sintagmas. Tenho a vantagem de ter cotejado entre si e com o texto original as versões de diversos autores e línguas. O estudo de trabalhos precedentes, em qualquer ramo do saber – a Bibliografia – contribui poderosamente para abater erros e aproveitar um melhor cultivo do terreno, previamente trabalhado por outros.

Para lograr uma boa e fiel tradução – se bem que a plena perfeição parece ser impossível – deve-se evitar essas traduções pedestres, demasiadamente apegadas à letra – materialmente considerada – assim como a construção original, que somente pode dar lugar a uma confusão.

Não obstante, a tradução não pode deixar de ser literal, em seu aspecto formal, se não queremos cair num subjetivismo em que o conteúdo original, em lugar de ser refletido lealmente, seja suplantado por nosso pensamento.

Assim, pois, me aterei à letra, em seu aspecto formal e, na medida do possível, me esforçarei para que seja literária, para fazê-la inteligível; para limar a aspereza e aridez, próprias do estilo curial, e a peculiaridade do presente texto e evitar assim, o tédio que produz a leitura.

Com o fim de facilitar uma melhor compreensão do essencial do texto, se destaca o fio condutor do discurso, com distinto tipo de letra, daquilo que for redundante e cheio: enumerações detalhistas, incisos explicativos prescindíveis, etc. De tal maneira que, lendo a parte destacada graficamente, se capte o sentido substancial da mensagem.

Antes de oferecer minha versão da Bula, gostaria de fazer algumas pertinentes observações acerca de várias das frases sobre as quais se dão divergências entre os distintos autores, com o fim de justificar minha opção e minha versão. Mas, como isso levaria a uma desmesurada extensão deste artigo, vou me limitar a criticar a coincidência na versão de uma frase, na que convêm todos os autores, e justificar a minha.

Trata-se da primeira frase introdutória do parágrafo 1.

“Nos considerantes rem huiusmodi adeo gravem et periculosam esse, ut Romanus Pontifex, (...) possit, si deprenhendatur a fide devius, redargui (...)”


Eis aqui como a traduzem as diversas versões que conheço:
VERSÃO ALEMÃ: In Anbetracht dieser so schwierigen und gefahrvollen Angelegenheit hat der Römische Pontifex der (…) jedoch darf ihm widersprochen warden, wenn er als vom Glauben abgewiscen erfunden wird.

VERSÃO ESPANHOLA: (Da revista ROMA) “Nos considerando esta materia de modo grave y el Romano Pontífice (...) pudiera ser rebatido si fuera sorprendido como desviado de la Fe;”

(Do Dr. Disandro) “Nos considerando la gravedad particular de esta situación y sus peligros al punto que el R.P. (...) si fuese sorprendido en una desviación de la Fe, podria ser acusado;”

VERSÃO FRANCESA: “Devant la situation actuelle si grave et si dangereuse, Il ne faut pás que l’on puísse reprocher au P.R. de devier dans la Foi (...)”


IV – VICISSITUDES DESTA CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA
Suas causas e fatores determinantes

Já conhecemos a conjuntura histórica que exigia esta lei, para evitar a ruína da Igreja.

Paulo IV, com a máxima prudência da serpente, previu, proveu e denominou a situação atual da Igreja – Abominação da Desolação – e, em sua lei, oferece e prescreve as medidas adequadas, ótimas, para conjurá-la.

Paulo IV estabelece, no parágrafo I, o plano global de atuação: Caçar as raposas que tentam destroçar a vinha do Senhor (“vulpere capere”) e afastar os lobos do redil (et lupus ab ovili arcere).

Com estas medidas gerais, se pretende fazer impossível o fato de que algum heterodoxo se infiltre nas fileiras da Hierarquia eclesiástica, em qualquer de seus graus, quer sejam “raposas”, entre os mancebos do rebanho de Cristo – párocos e sacerdotes, em geral – quer sejam “lobos”, entre a classe episcopal, sem excluir a um possível Archi-Lobo, transfigurado em Supremo Pastor ou maioral da grei, do que se faz especialíssima menção neste primeiro ponto.

Sim, este está preferencialmente no ponto de mira, desde o princípio da Bula; e não é de se estranhar. Com efeito, no texto, insiste-se exaustivamente sobre os diversos graus da Hierarquia, com o fim de conjurar a infiltração no cimo; pois, enquanto este se mantiver incontaminado, a grei, em seu conjunto, gozará de boa saúde; do contrário, a ruína global será inevitável.

Paulo IV tem sempre presente o perigo e a possibilidade de que, parece pressentir, um heterodoxo ascenda ao Supremo Pontificado. Diante desta possibilidade, se sente horrorizado, e, de sua parte, consciente de seu gravíssimo dever, tenta impedi-lo. Uma vez colocado em relevo, na Introdução, o motivo e o objeto de sua Constituição; no Parágrafo I, se eleva de repente e dirige seu ponto de mira ao Chefe Supremo, ao superior da grei de Cristo. Por quê? O mesmo Papa dá a razão de semelhante atitude, ao encarar a possibilidade de que o maioral chegasse a se converter em Archi-Lobo, pelas conseqüências fatais e inevitáveis para todo o rebanho.

Por isso, inicia o parágrafo com estas palavras: “Considerantes huiusmodi rem adeo gravem...” ou seja, “Tendo em conta a extrema gravidade e periculosidade que entranharia o fato de que um Romano Pontífice possa ser repreendido, no caso em que fosse surpreendido como desviado da Fé...”

Pelo qual, pensa que se devem tomar medidas cautelares drásticas para que isto não se suceda, por supor um perigo maior – Ubi maius intenditur periculum – que se cole um falso profeta nos postos de mando; tanto mais daninho e corrosivo, quanto mais alta for a dignidade usurpada.

Com efeito, acrescento eu, não é igual o efeito desastroso no posto supremo, por seu irresistível poder de irradiação e sedução universal sobre todo o rebanho (até o ponto de poder seduzir aos eleitos, se isso fosse possível); que se o Falso ocupe a dignidade da escala inferior do episcopado. Neste caso, somente afetaria uma porção limitada do rebanho e não, por suposto, com este caráter de irradiação virulenta e irresistível sedução do presumido Pastor heterodoxo. E muito menos se o intruso é um Pároco, cuja parte de influência sobre o rebanho seria infinitesimal em todos os aspectos.

Neste documento principal, se prescreveram as medidas absolutamente eficazes para ter impedido a crise eclesial atual; todavia, foi inoperante. Por quê? O desentranharemos no transcurso deste trabalho.

Como base da crise temos o MISTERIUM INIQUITATIS, de que fala São Paulo, que já estava em ação nos tempos apostólicos.

Qual é o objetivo concreto dos inimigos de Cristo e de sua Igreja? Segundo Leão XIII (em Humanum Genus), “estes maquinam a ruína total da Igreja, com o propósito de destruí-la, se pudessem, e despojar inteiramente aos povos cristãos dos benefícios que lhes granjeou Jesus Cristo.”

O poder do INÍQUO, por permissão divina, chegará muito longe; talvez, como chegou no episódio de Satã e Jó: in manu tua est verumtamen animam illius serva. Ou seja, “Em tuas mãos a coloco (a Igreja), mas conserve sua vida”. (Jó 2, 6). À Besta “lhe foi outorgado fazer guerra aos santos (=católicos) e vencê-los”. (Ap 13, 7; Dn 7, 21). Seu triunfo, pois, se bem que efêmero, será quase total.

Mas, temos a certeza dogmática da promessa de Cristo, de que as portas do inferno não prevalecerão. O Tridentino declara a respeito: “O Símbolo da Fé é o princípio, no que todos os que confessam a Fé de Cristo convêm necessariamente; e é o fundamento firme e único, contra o qual as portas do inferno não prevalecerão”.

Se a Igreja seguirá vivendo e alentando, apesar de que as feridas sejam mortais, de necessidade, e possam dar a sensação de haver morrido a igreja; como a teve Elias quando do desaparecimento do verdadeiro culto em Israel, até o ponto de queixar-se ao Senhor de ter ficado só. Mas a divina resposta lhe assegurou que estavam reservados SETE MIL varões... (Rm. 11, 14)

A Fé, fundamento indestrutível, como disse o Tridentino, permanecerá, certamente, intacta; mas, só em um resto, proporcionalmente, insignificante, disperso pelo mundo, à margem das estruturas oficiais dos Apóstatas. Por isso, não é estranho que o mesmo Jesus se faça a pergunta: “Mas, quando vier o Filho do homem, porventura, encontrará a Fé sobre a terra?” (Lc 18, 8) Esta pergunta é denotativa dos estragos causados pela ação do mistério da iniqüidade.

Todavia, - insisto – o triunfo do inimigo poderia ter sido evitado, infalivelmente, com o zeloso cumprimento das medidas cautelares prescritas na Bula de Paulo IV.

Mas, por desgraça, essas medidas cautelares foram esquecidas quando mais falta fazia tê-las em conta.

Bem é verdade que esta Lei deu seus primeiros passos com firmeza e evitou eficazmente que o suspeitoso Morone fosse elevado à Suprema dignidade, devido à integridade e inteireza de São Pio V, que exibiu a lei de Paulo IV como impedimento para sua eleição.

Ainda mais, Ghislieri, uma vez eleito Papa, zelosíssimo defensor da Fé, com seu predecessor Paulo IV, plenamente consciente de seu dever e da suma importância da dita Lei, sete anos depois de sua Promulgação, a ratifica, ordenando que se guarde “ad unguem”, ou seja, zelosamente, com maior exatidão. (Cf. Motu Próprio “Inter Multiplices”).

Mas, o caso é que, uma vez falecido São Pio V, parece ser que a Cum ex Apostolatus Officio foi tragada pela terra. A Lei estava aí. Ninguém a havia anulado, abrogado ou derrogado. Todavia, Ai! se essa Lei fosse esquecida, preterida ou silenciada, subestimada e, por último, na atualidade, ferozmente, satanicamente, impugnada e atacada...

Disto se queixa, amargamente, o Dr. Disandro: “Muitos destes documentos careceram de real eficácia; foram ignorados ou desobedecidos, se relegaram, sem maiores conseqüências, aos arquivos protocolares...”

Sim, um documento principal para a eficaz defesa da Fé, que deveria ter sido tema constante de saborosos comentários e de uma minuciosa casuística para canonistas e teólogos, passou tão despercebido como se não existisse. Parece como se tratasse de uma conjuntura de silêncio. Que habilidade para escamotear essa crua e urticante realidade!

Teria sido fácil dirimir, de uma vez por todas, a partir da promulgação desta Lei, a possibilidade de um Papa caído em heresia, como pessoa privada, com suas conseqüências iniludíveis, sem ter medo de se perder pelo labirinto de opiniões - “desfile fenomênico de opiniões”, como denomina o Dr. H. Johas – divergentes e contrapostas, até a contradição.

Como, pois, explicar o fato da frustração dos fins da Bula de Paulo IV? Na dinâmica histórica, tudo tem suas causas concretas, ainda que, como neste caso, se trate de um Mistério: MISTERIUM INQUITATIS. O triunfo do Iníquo na crise atual estava profetizado (Cf. II Tess 2, 5-12); e o profetizado não pode falhar (Cf. Mt 26, 54); antes de se cumprir uma profecia não podemos imaginar como se realizará, mas, uma vez realizada podemos chegar a conhecer as causas que lhe deram lugar, assim como seu encadeamento.

A trama do inimigo, sua trajetória e táticas, podem ser seguidas, passo a passo, no devir dos acontecimentos.

De entrada, contamos com um pressuposto básico, real, o da suma astúcia do inimigo. Com efeito, “os filhos deste mundo são mais sagazes, entre seus congêneres, que os filhos da Luz.” (Lc 16, 8) Por isso, se nos ordena que sejamos prudentes como as serpentes (Mt 10, 16) assim como que nos guardemos dos homens. (Lc 10, 17)

Os filhos das trevas sabem perfeitamente o que querem e o que não querem e os meios mais aptos para lograr seus objetivos.

Neste caso concreto, os filhos das trevas, com intuição querúbica, captaram infalivelmente a realidade, o alcance e as conseqüências, que se derivariam para seus planos, da exata observância da lei de Paulo IV. Era a barreira infranqueável para que eles pudessem retirar o obstáculo que impedia seu pleno triunfo. Este documento então deveria ser anulado e frustrado. Para isso contavam com a cândida inocência dos filhos da Luz. Aqui está a chave para explicar o fenômeno do rechaço deste documento.

Os filhos das trevas, na consecução de seus objetivos, observam exatamente a todas as regras que marcam a prudência, em especial, no que se refere ao seu reto uso:

a) Providência, ou seja, o ordenamento dos meios mais rápidos para conseguir o fim e prever as conseqüências do ato que será realizado.
b) Circunspecção, ou a atenta consideração das circunstâncias, para não precipitar-se e aguardar a ocasião oportuna para agir.
c) Cautela ou precaução contra os impedimentos extrínsecos que pudessem comprometer o êxito da empresa.

Além da perfeição destas partes integrais da prudência, possuem, com habilidade insuperável, aqueles vícios falsamente parecidos com a prudência: astúcia, dolo, fraude... O recurso à insídia é uma constante; e contra a insídia não existe prudência humana que valha. Mas, largamente, os filhos das trevas, com toda sua astúcia, sempre se engrandecerão contra a Sabedoria divina; pois, “não há sabedoria, nem prudência, nem conselho contra o Senhor.” (Prov. 21, 30) “Ele surpreende o sábio em sua astúcia e frustra os desígnios dos malvados”. (Jó 5, 15)

Por isso mesmo, ainda que a sagacidade dos filhos deste mundo supere a dos filhos da Igreja, em geral, nem todos caem nas redes de sua astúcia; sempre há e haverá clarividentes, iluminados por Deus, que prevêem os desígnios do inimigo e avisam aos demais do perigo. Por isso, não faltam, nem faltarão culpáveis quando a “inocência” chega a um certo grau de estupidez, por não ouvir os avisos dos clarividentes.

A partir de agora, serão colocados em relevo certos fatos concretos da trama excogitada, que conduziram à situação de crise atual na Igreja. “Essa trama – diz Disandro – pode ser construída perfeitamente, essa obscuridade pode ser seguida passo a passo... a história que comporta nomes, decisões, acontecimentos e conflitos, inequivocamente diferentes, mas que aparecem delineados numa só direção: o triunfo... do Anticristo.”

Logo, é de se estupefar ante as sapientíssimas e sutilíssimas disposições endereçadas a suprimir ou “retirar do meio o obstáculo que impedia seu triunfo pleno.” (II Tess. 2, 6-7)

Muito podemos aprender da maneira de proceder dos inimigos da Igreja, pois, nada melhor para vencer o inimigo ou, ao menos, para não deixar-se vencer, que conhecer suas tretas e ardis para obviar-los.

Adverte-se que não se trata aqui de rastrear a todos os procedimentos do inimigo ao longo dos séculos – sua atividade se iniciou já na era apostólica – com o fim de desbaratar a Obra de Cristo. O assunto terá que ser reduzido.

Aqui, somente se trata daqueles personagens que, por sua ação ou por sua omissão, constituem os pregos, que contribuíram para deixar inoperante a Bula de Paulo IV, insuperavelmente apta, como já foi dito, para evitar que desaparecesse o obstáculo, que impedia o pleno triunfo do inimigo.

Temos, em primeiro lugar, o teólogo holandês Albert Pighius (vulgarmente PIGHI), (1490-1542).

Sim, ainda que ao leitor lhe cause estranheza o fato de que um autor, anterior à promulgação desta Bula tenha podido influir em silenciá-la, preterir-la e, por último, em impugná-la temerária e satanicamente. Aqui, temos a chave para captar todo o processo.

PIGHI, em sua obra “HIERARCHIAE ECLESIASTICAE ASSERTIO”, introduz uma cunha em bloco sólido, compacto, na sentença, absolutamente unânime até então, entre teólogos e canonistas, de que “um Papa, como pessoa privada, podia desviar-se da Fé e cair em heresia.”

Pighi, com zelo amargo, extremado, “sed non secundum scientiam”, (Rm 10, 2), ou seja, zelo não conforme a razão ou indiscreto, quer opor-se à negação rotunda dos protestantes de que o Papa não é infalível, em nenhum caso, afirmando o contrário: “O Romano Pontífice jamais pode cair em heresia, nem no erro, nem sequer como pessoa privada”. E se afirma em sua Tese, de forma brusca, irada. Desata-se em injúrias contra Graciano e maldiz com palavras indecentes aos canonistas.

Mas, como se vê contradito pelo fato evidente da condenação como herege do Papa Honório, pelo VI Concílio Ecumênico, baseando-se em conjecturas arbitrárias, afirma temerariamente que as Atas do Concílio foram falsificadas, assim como a Carta de Honório a Sérgio; que os Padres do Concílio haviam sofrido engano.

Ainda mais: Pigui não teve escrúpulos em criticar caluniosamente as Atas dos Concílios Ecumênicos VI e VII; e, enquanto pôde de sua parte, se esforçou em desacreditar a autoridade e a Fé de ambos os Concílios. (Cf. Melchior Cano, “DE LOCIS THEOLOGICIS, L. SEXTUS, Cap. VIII.)

Melchior Cano considera essa Tese como opinião inovadora na Igreja e a refuta largamente.

Algum leitor perguntará, talvez: “Foi o inimigo que abriu esta porta para o seu assalto à cidadela?” Não! Foi um católico fervoroso defensor da Fé; mas, com seu zelo indiscreto e sob impulsos de seu temperamento fogoso, que cometeu uma imprudência temerária, que o inimigo, em sua astúcia luciferiana, instituiu como a melhor brecha para introduzir-se, sigilosamente, infiltrar-se e alcançar, assim, seu objetivo. Com essa sagacidade que o caracteriza, procurou fazer com que a Tese absurda de Pighi fosse aceita, apesar da refutação de Melchior Cano, por teólogos e canonistas posteriores, como uma “pia opinio”, “piedosa opinião”, que infectou, durante séculos, a estes, criando um estado de opinião, que fez com que se baixasse a guarda; aí vemos que, na expressão do Dr. Disandro, “a temática da Bula, assim como a do Motu Proprio de S. Pio V, a muitos, podia se parecer com uma custódia excessiva, um certo gosto de pontífices autoritários por extremar a significação canônica da verdade, assim como a cautela que, a primeira vista, exibia um certo tremendismo da Fé.”

Assim, pois, aconteceu algo impensável, que constitui como que a essência do MISTERIUM INIQUITATIS, que somente pode ser explicado pela inocência dos filhos da luz: Uma Constituição Apostólica, conscienciosamente elaborada, das chamadas consistoriais – o Consistório de 8 de fevereiro de 1559 rechaçou uma primeira redação, pelo que se teve que redigir uma segunda, que foi subscrita por todos os Cardeais –, ratificada, posteriormente, em todos os seus extremos por São Pio V, chegou a ser considerada como algo anódino que não merecia ter-se em conta nas investigações teológico-canônicas sobre o tema.

Mas, o mal não foi a postura indômita de Pighi; pois, uma vez refutado por Melchior Cano, se lhe tivesse deixado de lado, não teria passado a ser um lamentável episódio na vida da Igreja. O pior é que – e absolutamente incompreensível –, depois de promulgada a Constituição Apostólica de Paulo IV, houve personagens destacados, alguns deles astros de primeira magnitude no firmamento da Teologia Católica que seguiram esta linha de raciocínio. Isto contribuiu, definitivamente, para que o bloco monolítico do consenso, anterior a Pighi, fosse despedaçado, com opiniões contraditórias irreconciliáveis.

Na exposição do que segue – sucinta, por suposto – basear-me-ei, principalmente, em duas obras.

Na obra de XAVIER DA SILVEIRA: La nouvelle Messe de Paul VI: Que penser? Que, na segunda parte, trata, por extenso, o tema da HIPÓTESE TEOLÓGICA DO PAPA HERÉTICO.

E na obra de Homero JOHAS: “A AUTENTICIDADE DA CONDENAÇÃO DE UM PAPA HERÉTICO”. Este autor tem-se aprofundado, como ninguém, no tema da questão do Papa Honório: A CONDENAÇÃO DO PAPA HONÓRIO. (Série de artigos, publicados pela Revista ROMA, nºs 113-115). Outros opúsculos, publicados em português, além do citado mais acima: AS CARTAS DOGMÁTICAS DO PAPA HONÓRIO e uma segunda redação ampliada do mesmo título. As conclusões que chega Dr. JOHAS são irrebatíveis; por isso, os inimigos da verdade procuram abandoná-lo.

O cardeal BARONIO (Cesare) (1538-1607)

Este Cardeal segue, em tudo, a Tese de Pighi. De todos os modos, se este houvesse sido o único personagem destacado que defendeu isso, as conseqüências não haveriam sido tão catastróficas para dissolver o bloco do consenso. Mas, o estremecedor é a astúcia dos filhos deste mundo! Fiquei estupefato e maravilhado, muito mais que o mordomo da parábola ante a sagacidade do administrador infiel, - que um teólogo de primeira linha, seu contemporâneo São Roberto Belarmino (1542-1621) seguisse os passos do Cardeal Baronio, corroborando, ademais, a descabelada hipótese deste, com uma base doutrinal, absolutamente arbitrária: Deus não permitiria jamais que um Papa caísse em heresia. “Com essa doutrina – diz H. JOHAS – o fato sobre Honório seria eliminado a priori”. O que segue é um extrato da exposição do Dr. Johas.

A Elevada posição destes cardeais, em especial, de São Roberto, alimentou a polêmica até o século XX. Mas, o caso é que a opinião de São Roberto Belarmino, neste assunto, se opunha a uma sólida tradição da Igreja, desde muitos séculos, inclusive antes do caso de Honório.

Durante os quatro últimos séculos, a maior parte dos escritos em defesa de Honório (contra o Magistério da Igreja) procede de pessoas que jamais se aproximaram de modo direto e suficiente das fontes históricas. A maior parte se apoiou no prestígio de S. Roberto, que, por acréscimo, ostenta o título de Doutor da Igreja.

Ao falar de três documentos da Igreja, que testemunham a condenação de Honório: LIBER PONTIFICALIS, LIBER DIURNUS ROMANORUM PONTIFICUM e o BREVIARIUM ROMANUM, diz: “Qualquer conjectura oposta... emitida pelos Cardeais romanos, Baronio e Belarmino, é temerária e vai contra as provas documentais da História. Vai também contra as pessoas desses Papas...”

Sua influência alcançou ou chegou até os mesmos Papas. No Breviário citado, no segundo Noturno da festa de São Leão II, é feita referência ao ato deste Santo anatematizando Honório. Pois, bem, o Papa Clemente VIII mandou fazer, em 1602, a renovação Breviário e ele a confiou justamente a estes dois cardeais; justamente aos dois que levantaram suspeitas infundadas sobre a condenação de Honório. Assim, pois, não é de se estranhar que essa referência que se fazia, na festa de São Leão II, desapareceu para sempre.

Por isso, não há nada de estranho que o Dr. Johas, antes de chegar às conclusões de seu estudo, faça certas reprovações a São Roberto Belarmino, no número 3.4, sob a epígrafe: “Erros de São Roberto Belarmino.”

“Neste caso particular – diz – a autoridade de São Roberto Belarmino que, nisto teve muitos seguidores, pode e deve ser contestada. Ele partiu de uma premissa doutrinária e errônea e, como conclusão, negou os fatos históricos, solidamente provados. Essa premissa contrariava a Tradição e o Magistério da Igreja.”

Ele tentou defender uma impecabilidade Papal, no terreno da Fé, tornando-a extensiva à pessoa privada...

De sua falsa premissa, derivaram outros erros. Esta o impulsionou a interpretar os textos objetivos das Cartas de Honório contra seu sentido genuíno, confirmado pelo VI Concílio, por São Leão II e por toda a Tradição posterior até São Roberto Belarmino.

Passou a afirmar, com o Cardeal Baronio, a falsificação de todos os documentos da Igreja, principalmente os da Sede Romana, de Papas e Concílio, Profissões de Fé, Breviário... Tudo para salvar sua doutrina pessoal.

Isto o fez, depois de reconhecer que sua opinião “não é certa; a sentença comum é a oposta.” Defende sua opinião como provável; mas, considera que a sentença da Tradição era menos provável que a sua. Coloca-se acima da Tradição da Igreja, do Magistério ordinário universal fundado na Divina Revelação... Para destruir essa Tradição e o Magistério, tiveram que seguir pelo caminho gratuito de supor a falsificação do Magistério durante largos séculos.

Assim, pois, todo o debate sobre Honório nos últimos quatro séculos teve sua origem nessa doutrina errônea de São Roberto Belarmino. Até aqui o Dr. H. Johas.

Isso não quer dizer, de minha parte, que se tenha que atribuir má fé a São Roberto Belarmino; mas, sim, que se pode afirmar, com certeza, que a sagacidade dos filhos das trevas, enganou, neste caso, a um eminentíssimo filho da luz, para que assim se cumprisse a sentença do Divino Mestre. (Lc 16, 8)

Xavier da Silveira enumera alguns dos seguidores da hipótese de São Roberto Belarmino; em primeiro lugar, seu contemporâneo SUAREZ (1548-1617). Este autor, seguindo a Belarmino, se bem que diz que considera como provável a sentença de que o Papa possa cair em heresia, todavia, lhe parece mais provável e mais piedoso afirmar que o Papa, como pessoa privada, pode cair em erros devidos à ignorância, mas, não à obstinação. Está persuadido de que Deus proverá, mediante a suave ação de Sua providência, para que um Papa não chegue jamais a ser herege. E termina dizendo que devemos considerar como impossível (sublinho) que tenha lugar o que, até então, por especial disposição de Deus, jamais se deu na Igreja.

MATHAEUCCI, teólogo franciscano (+ 1722), afirma rotundamente que a opinião de Suárez constitui uma verdade de Fé, nada menos.

Omitindo autores de classe inferior, nos encontramos com o Cardeal Louis BILLOT (1848-1931). Este teólogo é um defensor, até a morte, dessa opinião. A contraria a admite como hipótese indefensável, em virtude da promessa de Cristo. (Cf. Lc XXII, 32) Baseado em sua interpretação do texto escriturístico, termina com essas palavras: “Logo, a ordem estabelecida por Deus exige absolutamente (sublinho) que, como pessoa privada, o Soberano Pontífice, não pode ser herege, ainda quando houvesse perdido a Fé em seu foro interno. Finalmente, se a hipótese de um Papa caído em heresia notória chegasse a ser realidade, a Igreja estaria envolvida em tal grau de aflições, que pode se dar por judicioso a priori, que Deus não o permitiria jamais.”

Vejamos como é desfeito o nó górdio das objeções. Ele afirma seu próprio juízo contra o dos Papas e dos Concílios: “Honório não foi hereje.” Uma vez afirmado isso, conclui com a maior naturalidade contra o Papa Adriano II, que afirmou que Honório foi acusado de heresia, dizendo que “isso não prova nada.” Contesta a autenticidade do Cânon “Si Papa” de Graciano; e sobre as palavras de Inocêncio III, que admite a possibilidade de que um Papa possa pecar contra a Fé e suas conseqüências imediatas, diz que se trata de uma simples hipérbole oratória.

Nisto, Billot ultrapassa a São Roberto Belarmino e a Suarez. Mostra-se fanático defensor de uma causa com uma debilidade de argumento que causa pavor. Parece mentira que um teólogo de ponta, que, em outros temas teológicos e escriturísticos discorre com agudeza genial, tropece, aqui, tão grosseiramente.

O que dizer de tudo isso? Pighi, o primeiro a formular a teoria da imunidade absoluta do poder de pecar um Papa contra Fé, tem em seu favor a atenuante de havê-la formulado, antes da promulgação da CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO; se bem que, dificilmente poderá se esquivar da nota de temeridade por ter-se oposto à opinião comum contrária. Talvez, seu ardente zelo – ainda que discreto – em defesa da Fé o escuse.

Entretanto, não se pode dizer o mesmo de alguns personagens destacados, a partir do Cardeal Baronio. Mas, o caso é que ignoram a Bula. Ao parecer, esta ficou sepultada no esquecimento, a partir da confirmação e ratificação por São Pio V, no espaço de 30 anos. Há que se reconhecer que o astuto inimigo havia dado, firmemente, seu primeiro passo, na direção de seu objetivo.

Teólogos e canonistas, em uma porcentagem altíssima, a desconhecem inteiramente.

Mas, o pior, o mais sintomático, é que há autores que se presumem de especialistas e tratam “exaustivamente” temas em que, necessariamente, tinha que ter lugar, mais ou menos destacado, a Bula de Paulo IV. Vejamos.

Tenho fotocópia de dois artigos da grande obra de Ferraris, PROMTA BIBLIOTHECA, que respondem ao epígrafe de HAERETICIS e HAERETICUS. Neles, encontro citações de documentos de mais de uma dezena de Papas, anteriores e posteriores a Paulo IV; mas, por mais que tenha rastreado, uma ou outra vez, por si me enganava, não encontrei nem uma só citação da Bula. Não quero pensar mal. FERRARIS desconhecia a existência dessa Bula.

Outra obra, na que, necessariamente, tinha que ter seu lugar, de acordo com seu conteúdo e título é, o “ENCHIRIDION SYMBOLORUM, DEFINITIONUM ET DECLARATIONUM DE REBUS FIDEI ET MORUM”, de Henrique DENZINGER. Pois, bem, inacreditavelmente, qualquer texto da CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO, brilha por sua absoluta ausência. E isto, em todas suas edições, da primeira até a última. Por isso, M. Gwynne crê que a omissão citada pudesse ter sido tendenciosa. Talvez, em Enrique Denzinger poder-se-ia presumir a ignorância da mesma; mas, isto não pode se presumir dos autores das edições posteriores.

A mesma coisa deve ser dita do DICTIONNAIRE DE THEOLOGIE CATHOLIQUE. Em seu artigo “Deposition et Degradation de Clers”, em sua epígrafe VI, trata da deposição dos Papas. Que lugar mais apropriado para aduzir textos da Bula de Paulo IV se poderia encontrar? Todavia, esses textos não são citados. Desconhecia o autor desse artigo a existência da Bula. Neste caso, duvido. Um especialista deve conhecer toda a bibliografia sobre o tema que domina. Desconhecer um documento importante, não tem perdão (cientificamente falando). Conhecê-lo e não trazê-lo a lume num contexto tão apropriado, por subestimá-lo, é inqualificável.

Por último, vou referir-me à já citada obra de Xavier da Silveira. Este autor que se propõe a estudar “ex professo” e com pretensões de exaustividade, o tema teológico sobre a possibilidade de um Papa hereje e de suas conseqüências, ignora, assim mesmo, absolutamente, a existência da CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO; isso, apesar de que a edição francesa (1975), foi publicada quando a Bula já havia vindo à luz – como se costuma dizer – já havia começado o debate.

Pode-se afirmar, pois, que o inimigo havia conseguido plenamente o objetivo de silenciar e preterir este documento, até produzir uma ignorância de sua existência. Todavia, a Bula estava ali, registrada no BULLARIUM ROMANUM, para ser tomada em conta e constituir uma fonte do Direito Canônico, promulgado em 1917...

Paralelamente, o inimigo excogitou outra tática: a de invocar a clemência e misericórdia no castigo dos hereges. Vou-me referir a dois casos muito concretos.

Conta Ludovico Pastor que São Pio V, em seus últimos anos, parecia não ter dado lugar de preferência à repressão da heresia, como antes... Nos idos de 1570, o capuchinho Padre PISTOYA, muito apreciado de São Pio V, lhe havia representado que via, em palpáveis exemplos de cada dia, o zelo do Papa na administração de justiça; mas, que devia considerar-se que, na Sagrada Escritura, por um lugar, em que se chama a Deus justo, havia outros dez (sublinho), em que se colocava de realce sua misericórdia. Até aqui Pastor.

Ao ler esta afirmação – tão insinuante – do Pe Pistoya, não pude menos que exclamar, profundamente indignado: isso é falso! Mas, claro, esses abruptos viscerais, não são convincentes. Por isso, já sossegado, me envolvi na leitura da Bíblia, de ponta a ponta, para descobrir até que ponto era falsa a afirmação de Pistoya.

O resultado dessa inquisição – computando não somente os vocábulos “justiça” e “misericórdia”, e sim o seu conteúdo, em expressões equivalentes, como “o furor de sua ira”, “clemência ou benignidade”, “lento para castigar”, etc., foi impactante – dada a persuasão geral de que a “misericórdia” é mais nomeada que a “justiça”. No entanto, as expressões que se referem a estes atributos divinos estão muito equilibradas, como era de concluir, em certo modo “a priori”; já que ambos os atributos são infinitos.

Mas, há mais. Fazendo, recentemente, uma recontagem dos termos investigados, encontro que o conceito de “justiça” sai ligeiramente em vantagem em comparação ao termo “misericórdia”. E eu que pensava que a exagerada proporção do Padre Capuchinho era uma insinuação luciferina – já sabemos que o diabo é o pai da mentira (Jo 8, 44) – e uma falsidade relativa, pude concluir que se trata de uma falsidade absoluta.

Outro caso de insinuação luciferina é a carta, que G. Bonomelli dirigiu a São Pio X (14-10-1911), em que lhe recomendava moderação em suas decisões contra o Modernismo. Mas, neste caso, Bonomelli recebeu a adequada resposta do Santo, que não cessou seu empenho em erradicar o Modernismo.

Enfim, a “pia opinio” – mas, pode-se fazer teologia com uma “piedosa opinião”, contrária à oposta solidamente fundada em argumentos teológicos, racionais e empíricos reconhecidos? – propagou-se, qual mancha de azeite, por todos os estratos e níveis eclesiásticos.

O teólogo Salaverri (Cf. Theologiae Summa, I, BAC, Madrid, 1962, nº 657) se declara partidário da “pia opinio”. ”Parece-nos – diz – mais piedoso e provável pensar que Deus, com Sua Providência, evitará que um Papa seja hereje”. E acrescenta: “Esta sentença, que defenderam Belarmino e Suarez, recebeu o elogio do Bispo Zinelli, relator da Fé (no Concílio Vaticano I), com essas palavras:

“Confiantes na Providência Sobrenatural, cremos, como muito provável, que nunca acontecerá”.

Dessa mesma presunção geral se valeu o inimigo para ir-se infiltrando no clero, baixo e alto, e tão alto, que esteve a ponto de eclodir na eleição de Rampolla. O inimigo ocultava “no seio e dentro do coração da Igreja.” (Cf. Enc. Pascendi) Isto causou em São Pio X “grandiosa ansiedade e angústia.”

Este santo Pontífice, consciente do mais sacrossanto de seus deveres, prescreveu, também, medidas como remédios eficazes para conter o mal; mas, neste caso, não teve um sucessor, como Paulo IV teve a São Pio V, que persistisse em levar a cabo essas medidas que ele propôs.

Não bastavam encíclicas de impecável ortodoxia e luminosa doutrina. Ele mesmo, São Pio X, fez alusão a seu antecessor Leão XIII, a respeito. Este “procurou opor-se energicamente, por palavra e por obra, a este exército de tão grandes erros, que escondido ou abertamente, nos acomete. Mas, os modernistas... não se intimidam facilmente com tais armas, e afetando sumo respeito e humildade, distorceram de acordo com suas opiniões, as palavras do Pontífice...” Daí que São Pio X insista em uma estrita vigilância, diligência e fortaleza.

Eis aqui o testemunho de vários autores que acusam de negligência aos sucessores de São Pio X.

O Dr. H. M. KELLNER, em umas considerações que publica na revista EINSICHT (II-8, Nov. 1972, p. 41) diz o seguinte: “Deve-se reconhecer que São Pio X foi o último Papa católico verdadeiramente ortodoxo, na era anterior ao Vaticano II. Ele levou a cabo uma encarniçada luta contra a erupção de erros modernistas na Igreja...

Assim mesmo, deve-se constatar que os pontificados de Bento XV, Pio XI, e Pio XII – se bem que estes Papas não tenham feito declarações heterodoxas – caracterizam-se por uma certa quebra do Magistério eclesiástico, que se manifesta na permissividade em relação às tendências destruidoras... Estes Papas não empreenderam, decididamente, nenhuma ação para por um dique à silenciosa revolução... levada a cabo por sedicentes teólogos católicos, tais como T. de Chardin, Ives Congar e J.A. Jungmann. A catequese protestantizante do último foi, inclusive, secundada oficialmente e o iniciador dela foi recompensado com um posto no Vaticano. O progressista Montini foi nomeado, em 1954, Arcebispo de Milão.

G. de NANTES, em “A grande Apostasia”. (CRC nº 97, oct. 1975, pp. 3-12) este autor fala largamente e censura aos três imediatos sucessores de São Pio X. Resumo.

“A partir de Bento XV, o liberalismo retorna. Assim que faleceu São Pio X, a intolerância foi desterrada da Igreja... Chegou a revanche dos oponentes, formados nos tempos do Liberalismo. Bento XV, havia sido durante toda sua vida um diplomático... e, ainda mais, havia sido secretário do Cardeal Rampolla, durante a maior parte de sua carreira. Sabe-se, por outro lado, que São Pio X só o nomeou Arcebispo, com o fim de afastá-lo de Roma e do cardinalato, de má vontade, para não desonrar a Bolonha... Sua eleição favoreceu o retorno das equipes que São Pio X havia mantido constantemente sob controle. Além disso, não se fez questão da tarefa de extirpar Modernismo... pela força.”

De Pio XI diz: “Em razão da democracia, opunha-se a toda contra revolução católica...” Não obstante, reconhece que é homem de doutrina exata e de verdadeira piedade e grande bem-feitor da causa católica por suas encíclicas de considerável altura dogmática. Mas, que importava, já que, por outra parte, trabalhava e contribuía para a doutrina da Igreja.

E sobre Pio XII começa dizendo que sente o que dirá, mas a verdade deve impor-se a todo sentimento, a todo interesse e todo cálculo. Nele se encontram muitas coisas boas.

“Pio XII herdou, também, o espírito de Leão XIII, demasiadamente confiante na liberdade e responsabilidade dos homens; liberal, em uma palavra, não de idéias, mas de governo. Sente repugnância ao molestar o homem com sua doutrina, em neutralizar o traidor, em desmascarar o espião; esforçando-se por crer na probidade de fundo dos homens e em suas promessas.

Ali, onde Pio X ia à caça dos falsos irmãos, Bento XV lhes deixava dormir, Pio XI os tolerava e promovia por política, Pio XII lhes outorgava uma ampla confiança...

Quando ele expunha a verdade – e com que maravilhosa claridade especulativa – cria que todos a haviam compreendido e aceitado.

Somente Pio X unia a claridade da verdade na Fé, à força do Anátema. Somente ele cumpriu todo seu dever. Os outros, fazendo médias, não fizeram nada.

Tudo o que amamos em Pio XII, foi absolutamente inoperante, por sua culpa... Precisamente, por estar aberto às reformas e à investigação... sob seu impulso e sem seu controle, se desenvolveu o Neo-modernismo, que emergiu triunfante, pouco depois de sua morte.”

A respeito da decepção que sofreu ante a traição de Montini, diz: “Decidiu, subitamente, desfazer-se de seu mais próximo e íntimo colaborador. Mas, em lugar de encerrá-lo em uma jaula, ou de ter-lhe servido um honesto castigo – como, talvez haveriam feito alguns de seus predecessores – o nomeou Arcebispo de Milão, uma das mais gloriosas sedes da Cristandade... “Promoveatur ut amoveatur.” Em sua tomada de posse, Pio XII, enfermo, enviou-lhe uma mensagem laudatória tal, que o mundo interpretou como uma designação de seu sucessor à tiara...”

Pe. RICOSSA, em SODALITIUM, nº 23, oct. 1990. “O sucessor, Bento XV condenou, sim, o Modernismo, mas não prosseguiu com a busca dos modernistas. (p.2) A morte de São Pio X, pôs fim à luta antimodernista.”

“Em 1914, haviam mudado muitas coisas. Se em Bérgamo já não estava Tardini, tampouco estavam, em Roma, nem São Pio X, nem seu Secretário de Estado Merry Del Vall; e sim Bento XV e o Cardeal Gasparri. Sem esta mudança decisiva, nem Roncalli... nem Montini, teriam podido chegar até Roma, quase contemporaneamente, para infiltrar-se, pouco a pouco, nos gânglios vitais da Igreja.”

“A eleição de Bento XV... deu uma nova direção à Igreja.” (Citação que ele tomou de Imbart de Tour.)

Gasparri elimina o Sodalitium pianum em 1921. Os inimigos de São Pio X elogiavam a sabedoria de Bento XV, que renunciava ao procedimento iconoclasta do precedente pontificado. Muitas das vítimas do fanatismo foram reabilitadas. Termina dizendo que, com o Conclave de 1914, abriam-se – sem que se soubesse – as portas, fechadas pelo último Papa santo, aos inimigos da Igreja.” (Cf. SODALITIUM, nº 24, dic. 1990)

Coloco a responsabilidade de todas estas afirmações sobre os autores das mesmas. Mas, não há dúvida de que o resultado a que se chegou, por esquecer, preterir ou subestimar a Constituição de Paulo IV, não podia ser mais catastrófico.

Como comentário, acrescentarei algumas frases, espigadas, do Dr. Disandro. Assim, “aquelas previsões do passado (Bula) – obstruídas e negadas (sic) pela mesma autoridade que tendiam a defender – se vêem cumpridas na Igreja de hoje, governada por um falso Pontífice...”

“O documento de Paulo IV comporta, inevitavelmente, uma doutrina, que se negam a enxergar, tanto os progressistas (para os quais a autoridade carece de irradiação sacra) como para os “tradicionalistas” (para os quais a crise só se explica à margem da autoridade).”

O esquecimento e preterição da Bula e, posteriormente, do Canon 188, 4, facilitou “que se elevassem às mais altas dignidades canônicas e que, inclusive, se orientassem a possuir o Pontificado; conclaves que elegem maçons ou coroam modernistas notórios; presumidos Papas, que, no uso de sua autoridade, combatem e relegam a Tradição, obscurecem o horizonte espiritual da Igreja. Tudo isto bastaria para conferir renovado interesse a estes documentos.”

“Como pôde desenvolver-se e instaurar-se o modernismo bíblico de Bea, depois das cautelas, reconvenções e condenações de São Pio X; infectar os pontificados de Pio XI e Pio XII e emergir triunfante com João XXIII?”

Tudo isso é conseqüência da extrema candidez dos católicos, em todos os níveis, como já foi dito. A tese gratuita de que Deus não podia permitir que um heterodoxo escalasse até o cimo (apesar da máxima tribulação vaticinada em Mateus 24) fez com que a Hierarquia e os católicos, em geral, dormissem tranqüilos numa falsa segurança, que lhes impedia e impede de ver a realidade.

Em 1903, esteve a ponto, se não fosse pelo veto da Áustria, de ser eleito Papa o Cardeal maçom Rampolla. Parece mentira, que, como disse Davidoglou (La VOIE, XIX, 1990, p. 35) “os austríacos estavam a par da realidade.” Como pôde suceder que os do Vaticano estivessem tão ignorantes do que acontecia em seu próprio meio?

“Inclusive – disse – o bom de São Pio X não querer saber nada de Maçonaria, e, quando, à morte de Rampolla, mostram a ele os documentos, que provavam a pertença à mesma deste, exclamou: “Queimai tudo isso!”

Isso é que o mesmo São Pio X havia constatado na PASCENDI – citada anteriormente – que os inimigos se encontravam ocultos no seio e no coração da Igreja.

Uma guerra defensiva, jamais poderá ser ganha; quanto mais em uma guerra levada a cabo com uma defensiva lânguida e confiante em que o inimigo não chegará a certos extremos; sendo assim, o inimigo ataca agressivamente por todos os meios ao seu alcance, sem a menor trégua. A vigilância deve ser perpétua.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Coetus Fidelium - Ecce Ecclesia: Pequena série fotográfica de nosso apostolado no Brasil

Pe Pio Espina, Dr. Johas, Sr. Domingos, Dr. Rafael e a cozinheira


A banda Santa Isabel, que acompanhou a procissão do Coetus Fidelium


Cavalgada realizada em homenagem à padoreira do Brasil, presidida pelo Pe Pio


Uma conferência com o Dr. Johas na Capela


Pe Pio Espina com o menino que por ele foi batizado em Julho passado


A Banda tocando hinos tradicionais da Fé Católica


Na procissão Padre foi ladeado por duas bandeiras erguidas pelos escoteiros


A Santo Batismo administrado novamente em terras brasileiras, 12-10-2009


As turbas acorriam para receber a benção sacerdotal no dia da Padroeira


Alguns membros do Coetus Fidelium no Brasil



Laus tibi Christi

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A CONCRETIZAÇÃO DA RELIGIÃO MUNDIALISTA: LEFEBVRISTAS, ANGLICANOS E ORTODOXOS NA MIRA DE ROMA

Em breve se consumará o projeto central preconizado


por Bento XVI para o seu "pontificado"




ANGLICANOS


http://www.zenit.org/article-23048?l=portuguese

ARCEBISPO DE CANTERBURRY: PASSO DADO HOJE É FRUTO DO ECUMENISMO


Mostra seu acordo com a solução adotada pela Santa Sé

LONDRES, terça-feira, 20 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de Canterbury e primaz da Igreja da Inglaterra, Rowan Williams, mostrou-se partidário da criação de uma estrutura canônica particular dirigida aos anglicanos que queiram aderir à fé católica.

Desta forma expressou em uma declaração conjunta com o arcebispo católico de Westminster, Vincent Gerard Nichols, dada a conhecer de maneira simultânea em Londres e no Vaticano, ao se anunciar a próxima publicação de uma Constituição Apostólica para a criação de um “ordinariato pessoal”, que permitirá aos membros da Igreja anglicana que desejarem entrar em plena comunhão com a Igreja Católica, preservando elementos do patrimônio e da liturgia da tradição anglicana.

Segundo a declaração, este anúncio põe fim “a um período de incerteza para muitos grupos que nutriam esperanças de novas formas de abraçar a unidade com a Igreja Católica”.

“A constituição é também um reconhecimento da substancial convergência na fé, doutrina e espiritualidade entre a Igreja Católica e a tradição anglicana”, indicam ambos prelados.

“Sem os diálogos dos últimos 40 anos, este reconhecimento não teria sido possível, nem tampouco se teria nutrido a esperança de uma plena e visível comunhão”, acrescentam.

Neste sentido, prossegue o comunicado, “a Constituição Apostólica é uma das consequências do diálogo ecumênico entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana”.

“O atual diálogo oficial entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana é a base para nossa cooperação. Com a graça de Deus e a oração estamos decididos a que nosso compromisso mútuo permanente e a consulta sobre estes assuntos e outros sigam se fortalecendo”.

“Esta estreita cooperação continuará à medida que crescermos juntos em unidade e missão, no testemunho do Evangelho em nosso país e na Igreja em geral”, conclui o comunicado.





http://www.zenit.org/article-23047?l=portuguese

IGREJA ACEITA ADESÃO DE FIÉIS ANGLICANOS


Serão criados ordinariatos pessoais e conservarão suas tradições anglicanas


Por Carmen Elena Villa

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- A Santa Sé anunciou nesta terça-feira em coletiva de imprensa a publicação de uma constituição apostólica de Bento XVI com a qual a Igreja Católica aceita o pedido de numerosos bispos, sacerdotes e fiéis anglicanos de entrar em comunhão plena e visível.

Esta disposição responde à solicitude de adesão de um grande número de anglicanos (informou-se que são “entre 20 e 30 bispos” anglicanos que pediram entrada na Igreja Católica), que se encontravam insatisfeitos com algumas modificações que se realizaram dentro desta Comunhão, entre elas a ordenação de mulheres no sacerdócio e no episcopado, a ordenação de clérigos que levam uma vida de convivência homossexual e a benção de casais do mesmo sexo.

Nova estrutura

No encontro com os jornalistas, que aconteceu na Sala de Imprensa da Santa Sé, o cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, explicou as razões desta medida por parte da Igreja Católica.

“Os anglicanos que se puseram em contato com a Santa Sé expressaram claramente seu desejo, frente a uma plena e visível comunhão na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Ao mesmo tempo, nos falaram da importância de suas tradições anglicanas, que têm a ver com a espiritualidade e o culto, para seu próprio caminho de fé”, declarou o purpurado.

Sobre quando será publicada a constituição apostólica, na coletiva de imprensa se anunciou para “os próximos dias”. O Papa introduzirá “uma estrutura canônica que provê a uma reunião corporativa através da instituição de ordinariatos pessoais, que permitirão aos fiéis ex-anglicanos entrar na plena comunhão com a Igreja Católica, conservando ao mesmo tempo elementos do específico patrimônio espiritual e litúrgico anglicano”.

A figura dos ordinariatos pessoais, que não dependem das dioceses, recorda a figura da “prelazia pessoal” (a única que existe é o Opus Dei), ou os vicariatos castrenses, (dioceses sem território na qual um bispo representa a autoridade eclesiástica para os militares ou forças da ordem católicos e suas famílias, independentemente de onde se encontrem).

A constituição apostólica determina que o ordinário, o superior, “possa ser ou um sacerdote ou um bispo não casado” (os bispos anglicanos que batem às portas da Igreja Católica em geral estão casados).

Os ex-anglicanos que queiram aderir plenamente à Igreja formarão parte desta estrutura canônica, que contará com seu próprio bispo, seus próprios sacerdotes, seminaristas e fiéis.

Sacerdotes casados?

Dentro das adaptações à tradição anglicana, a nova constituição permitirá aos pastores anglicanos casados que passem a ser presbíteros dentro da Igreja Católica junto com sua esposa e sua família.

Esta exceção já se havia permitido desde 1994 quando, após a primeira ordenação de mulheres na Igreja Anglicana, vários sacerdotes desta confissão pediram sua adesão à Igreja Católica conservando seu estado clerical. A adesão lhes foi concedida de maneira individual.

Por sua parte, os bispos casados anglicanos serão recebidos na Igreja Católica, mas na qualidade de presbíteros. Esta medida se dá, segundo o cardeal Levada, por “razões históricas e ecumênicas”, pois tradicionalmente o ministério episcopal está ligado ao celibato.

O cardeal não foi explícito, mas segundo o costume, os pastores anglicanos recebidos no seio da Igreja como sacerdotes recebem a ordenação sacerdotal das mãos de um bispo católico.

Dado que isto implicará que estes antigos pastores anglicanos, ao entrar na Igreja Católica, irão se converter em sacerdotes católicos casados, alguns jornalistas perguntaram ao cardeal Levada se esta medida não criará confusão na Igreja Católica de rito latino, onde o sacerdócio está ligado ao celibato.

O purpurado norte-americano esclareceu que a nova estrutura canônica permite esta exceção, devido à fé sincera destes fiéis de origem anglicana, mas considerou que se for bem explicada, será bem compreendida por todos os fiéis da Igreja.



ORTODOXOS

NICÓSIA, 13 out (RV) - «O papel do bispo de Roma na comunhão da Igreja no primeiro milênio» é tema da sessão plenária da Comissão Mista Internacional para o diálogo teológico entre as Igrejas Católica e Ortodoxa. O encontro está acontecendo em Chipre, de 16 a 23 de outubro. O tema é crucial para a possibilidade das duas Igrejas alcançarem a comunhão comum, e esta sessão vai praticamente prosseguir o trabalho iniciado na última plenária em Ravenna, na Itália, em 2007. Desta vez, o encontro ganha uma novidade, considerada «um passo adiante»: a participação dos representantes do Patriarcado Ortodoxo de Moscou, que esclareceram e concordaram sua presença com o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla e com as outras Igrejas Ortodoxas. «A presença de todas as Igrejas Ortodoxas é essencial para o sucesso do diálogo» - garante Mons. Eleutério Fortino, secretário do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos. «Às vezes, esta complexidade torna o diálogo e seu progresso mais lentos, mas o seu objetivo justifica a necessidade de um esclarecimento e de um consenso que envolva todos». A Comissão mista é composta por 60 membros: 30 ortodoxos e 30 católicos, e é moderada por dois co-presidentes: o Cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e pelo Metropolita Ortodoxo de Pergamo, Ioannis Zizioulas, do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. (CM)

O arcebispo católico de Moscou tem feito uma avaliação extremamente otimista das relações com a Igreja Ortodoxa, afirmando que a unidade entre católicos e ortodoxos poderia ser alcançada «dentro de poucos meses». Em entrevista hoje no jornal italiano Corriere della Sera, Dom Paolo Pezzi disse que o milagre da volta à unidade «é possível, aliás, nunca esteve tão perto». O arcebispo acrescentou que «o fim do cisma histórico que dividiu os cristãos entre ortodoxos e católicos romanos e a comunhão espiritual entre as duas igrejas poderia acontecer em breve, até dentro de alguns meses». «Basicamente, permanecemos unidos por mil anos», disse Dom Pezzi, «depois, por outros mil ficamos divididos. Agora o caminho de aproximação está no seu ponto mais alto, e o terceiro milênio da Igreja poderia começar como um sinal de unidade». Acrescentou que já não existe «nenhum obstáculo formal», mas que «tudo depende de um autêntico desejo de comunhão». Por parte da Igreja Católica, disse, «o desejo é muito vivo».

O arcebispo Pezzi, 49, cujo título é Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese da Santa Mãe de Deus, em Moscou, disse que agora não há «obstáculos reais» no caminho rumo à plena comunhão e da reunificação. Em relação às questões da modernidade, os cristãos católicos e ortodoxos pensam da mesma forma, disse, «nada nos separa sobre questões da bioética, família, proteção da vida. Também em matéria de doutrina, as duas igrejas estão essencialmente de acordo». «Resta ainda a questão da primado do papa de Roma», reconheceu o arcebispo Pezzi, «e esta será tratada na próxima reunião da Comissão católico-ortodoxa. Mas para mim, não parece impossível chegar a um acordo». (FONTE: Ecclesia "NEWS")


LEFEBVRISTAS

http://www.zenit.org/article-22998?l=portuguese

COMEÇAM OS COLÓQUIOS COM A FRATERNIDADE SÃO PIO X

Declaração do Pe. Federico Lombardi

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 15 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Na próxima segunda-feira, 26 de outubro, acontecerá o primeiro colóquio entre os representantes da Fraternidade São Pio X e os membros da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei.

Assim explicou hoje o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, em uma breve declaração.

Estes colóquios, que foram anunciados ao se publicar o decreto de levantamento da excomunhão de bispos lefebrianos, tratarão sobre as questões doutrinais abertas e, segundo afirmou hoje Lombardi, seu conteúdo “será estritamente reservado”.

Está prevista, não obstante, a publicação de um comunicado ao término do colóquio.

O encontro acontecerá no Palácio do Santo Ofício, e nele participarão, por parte da Comissão Ecclesia Dei, seu secretário, mons. Guido Pozzo, e o secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, mons. Luis F. Ladaria Ferrer. S.J.

Também estarão presentes os especialistas, os consultores da Congregação para a Doutrina da Fé; Charles Morerod, secretário da Comissão Teológica Internacional, mons. Fernando Ocáriz, vigário geral do Opus Dei, e Karl Josef Beccker.



domingo, 18 de outubro de 2009

Quem era Ângelo Roncalli?


Na sua juventude, encontram-se elementos que demonstravam as inclinações modernistas de Roncalli. Foi co-discípulo do célebre modernista italiano Buonaiuti, condenado nominalmente por isso. No seminário, usava como livro de história o do Prof. Turchi, de tal forma impregnado de modernismo, que acabou sendo chamado à ordem. Depois, suspeito de ortodoxia duvidosa, foi vetada sua nomeação para a cadeira de História Escolástica no Seminário Romano. (Lorenzo Bedeschi, Paese Será, 13/12/1972)[1].


"Da sua juventude sacerdotal, na década de 1910, manteve relações particulares com os príncipes italianos, há muito excomungados por espoliar bens da Igreja" (E. Lebec: "Histoire secrète de la diplomatie vaticane", A. Michei, 1997, p. 147).


"Durante a II Guerra Mundial, os serviços secretos britânicos criaram uma seção denominada "o MI 5", sob as ordens de Churchill. Este órgão foi encarregado do trabalho na área do ocultismo, a fim de desestabilizar o III Reich por meio de um ritual mágico. 'Amado ressalta que ritual ocorreu em presença de personagens tais como Ian Fleming[2], e com a benção do bispo Ângelo Roncalli, INICIADO[3] NA SEITA DOS ILUMINADOS NA TURQUIA[4] (...) Aliás, sobre sua cruz peitoral, ele ostentava o símbolo dos llluminati: um olho aberto no centro de um triângulo... Isto se passou num obscuro bosque de Sussex, no inicio do ano de 1941’” (Pesquisasobre a existência de anjos rebeldes, de Edward Brasey, p. 259, Filipacci).


Em 1983, foi publicado no México um livro intitulado: "Introdução à Franco-Maçonaria". Seu autor, Jaime Ayala Ponce, era Iniciado do grau 33 do rito escocês, membro ativo do Conselho supremo, principal escritor maçônico mexicano", nos diz na apresentação do livro:


"Em 1935, Ângelo Roncalli, arcebispo de Mesembria, é delegado apostólico na Turquia. A vida não é fácil para ele. Com a guerra, assim como outros padres e religiosos, ele veste-se civilmente. É justamente nessa época que foi convidado a ingressar numa sociedade herdeira dos ensinamentos Rosa-Cruzes, à qual Louis Claude Cagliostro deu tanta força... Píer Carpi, um jornalista pesquisador sério, denunciador desses tipos, membros das sociedades secretas, iria descobrir, no curso das suas pesquisas, as provas escritas da filiação maçônica de ÂngeloRoncalli na Turquia. Este grande jornalista nos relata no seu livro o procedimento de filiação, e descreve, detalhadamente, o seu ritual. Ele relata que foi durante uma dessas sessões numa loja que Ângelo Roncalli caiu em transe místico, e enunciou suas famosas profecias... Quem quiser se aprofundar nessa história, e conhecer melhor essas sociedades, pode procurar nas livrarias a obra "Les prophéties de Jean XXIII, de Píer Carpi. (Existe uma edição brasileira, e Píer Carpi é maçom (n. d. t.).


[...] na obra intitulada "Introdução à Franco-Maçonaria [referida linhas atrás], Jaime Ayala Ponce relata que, há alguns anos, o célebre maçom Prof, A. Sierra Partida quis publicar, nos jornais nacionais, uma cópia da ata de entronização numa loja de Paris, na qual constava que os profanos Ângelo Roncalli e Giovanni Montini tinham sido levados nesse mesmo dia [?] a serem iniciados nos augustos mistérios da confraria. Entenda-se que a imprensa recusou-se a publicar a matéria, e assim, o próprio professor fez copias que distribuiu nos círculos maçônicos do país.


[...] "No Congresso Mundial da Maçonaria, México, outubro de 1982, circulou entre os assistentes uma prece [...]


"Prece do papa João XXIII, publicada no "Jornal de Genebra", na sua edição de 9 de Agosto de 1966, traduzida do italiano para o português e transcrita no "Diário do Congresso Nacional", em 4 de Março de 1971, por requerimento do senador Benedito Ferreira:


"Senhor e Grande Arquiteto, nós nos humilhamos aos teus pés e pedimos teu perdão por nosso erro passado, já que estamos em vias de reconhecer nossos irmãos franco-maçons como teus fiéis prediletos. Sempre lutamos contra o livre-pensamento porque não tínhamos compreendido que o primeiro dever de umareligião, como afirmou o Concilio, é reconhecer o próprio direito de não crer em Deus. Perseguimos todos aqueles que, na tua própria Igreja, se encontravam afastados do caminho da Verdade, inscrevendo-se nas Lojas, ignorando todas as injurias e ameaças.


Sem refletir, acreditávamos que um sinal da Cruz era superior a três pontos formando uma pirâmide. Por tudo isto te pedimos perdão, Senhor, e suplicamos fazer-nos compreender que um compasso, sobre um novo altar, pode significar tanto quanto um crucifixo. Amém (Revista Medio Dia em Punto, Mar - Abr 1978) ("Sous la Bannière" n° 22, Mar - Abr 1989, pp. 23 - 24).


Em 1949, Mons. Roncalli disse, entre outras coisas a respeito da Maçonaria; "Na realidade, o que é que nos separa? Nossas idéias? Na verdade, é pouca coisa". (Barech, "Eglise Catholique e franc-maçonnerie", conclusão).


No livro do Pe. Rosário Esposito "As Grandes Concordâncias entre Igreja e Maçonaria", lemos o texto de uma entrevista concedida pelo barão Yves Maussardon a André Faucher (Omitimos os extratos dessa entrevista, pois já foram relatados no estudo "Bem-Aventurado João XXIII, do "Le Sel de la terre", constante deste dossiê, (n. d. t.)).


Esses contactos com a Franco-Maçonaria não ficaram sem consequências: João XXIII facilitou a revogação da excomunhão dos maçons, que foi ultimada por João Paulo II no Novo Código de Direito Canônico de 1983. A pertença à Franco-Maçonaria, bem como a adesão ao Modernismo, ou ao Comunismo, não figuram mais na lista das posições punidas com excomunhão.


*NOTAS:


[1]-Estas informações, e muitas outras, se encontram em Hebblethwaite, Giovanni XXIII, "II Papa Del Concilio", Rusconi, Milão, 1989, pp. 62-65


[2]-Ian Fleming iria ser o autor do “super-homem” James Bond.


[3]- Alguns leitores observaram que, segundo os documentos que citamos, Mons. Roncalli teria sido iniciado na Turquia ou em Paris. O fato dele ter sido iniciado em duas lojas diferentes não é nenhum absurdo.


[4]-Os "Iluminati", juntamente com Albert Pike, são os fundadores do rito paládico luciferiano, para o qual o Conselho dos Treze, que forma o poder oculto, recebe suas ordens diretamente de Lúcifer. A maioria das instruções foram recebidas em Charleston. Os "iluminati" controlam e ajeitam a Franco-Maçonaria.

sábado, 17 de outubro de 2009

Recapitulações: algumas perguntas que são feitas


P: Mas já ocorreu na História da Igreja o caso de algum Papa incidente em heresia?

R: Tal doutrina foi aplicada, de modo certo, pelo Magistério universal da Igreja, ao caso concreto singular do papa Honório I:

-Consta da Profissão de Fé papal (Fides Papae) do Líber Diurnus Romanorum Pontificum, nº 84.

-S. Leão II condenou Honório como herético (D.S. 563).

-Adriano I também, no VII Concílio.

-Adriano II também, no VIII Concílio (J. Alberigo, Conc. Oecum. Decreta).



P: Mas Nosso Senhor não disse que as portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja?

R: O símbolo da Fé é o fundamento firme e ÚNICO sobre o qual as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja. (D.S. 1500)



P: Como saber se a "hierarquia” do Vaticano II é ou não católica?

R: Ensinou S. Celestino I: “Não temos por católico o que for contra o já fixado.”



P: É necessaria alguma declaração para que um Papa incidente publicamente em heresia perca o cargo?

R: Ensinou Paulo IV, confirmando o que sempre foi ensinado, que a perda do cargo se dá "ipso facto", no ato público do antes Papa agora "a fide devius" (desviado da Fé). Não é necessária nenhuma declaração posterior (sine ulla declaratione).


+

Sobre a falsa Igreja assentada sobre sete colinas, diz nosso Senhor no livro de Apocalipse:

"Sai dela povo meu! Para que não sejais cúmplices dos seus pecados, nem atingidos por suas pragas."
(Ap 18, 4)


PROFECÍA del Apocalípsis, por S. Excia. Mons. Julio Aonzo


Con una bienaventuranza comienza la PROFECÍA del Apocalípsis. Es para "el que lee y escucha""lo que el Espíritu dice a las iglesias", y las "observa":

"BIENAVENTURADO el que lee y escucha las palabras de esta PROFECÍA y observa las cosas escritas en ella,pues EL TIEMPO ESTA CERCA". (Apoc. I,3)

Al Profeta Dios le revela a través de acontecimientos presentes que tiene delante, cosas futuras. Así como Ntro Sr. Jesucristo viendo la destrucción de Jerusalén -que sucedería al poco tiempo de su muerte- anunciaba las señales del fin del mundo, que los Apóstoles le pedían que les dijera y Él las reveló a todos.

Hubo un Profeta "muy amado de Dios" (Daniel IX, 23) que vivió 500 años antes de Jesucristo a quien Dios le reveló "el misterio de iniquidad", y en su Libro "se contienen admirables y especialísimos vaticinios del estado político del mundo, y también del de la Iglesia, desde su tiempo hasta la Encarnación del Verbo eterno, y después, hasta la consumación del siglo, según el pensamiento de San Jerónimo (Scio). Precisamente por ello, el Libro de Daniel es uno de los más misteriosos del Antíguo Testamento, el PRIMER APOCALÍPSIS, cuyas visiones quedarían en gran parte incomprensibles, si no tuviéramos en el Nuevo Testamento, un libro paralelo, el APOCALÍPSIS de San Juan. Es, por lo tanto, muy provechoso leer los dos juntos...algunas de las revelaciones sólo se entenderán en los últimos tiempos, dice el mismo Daniel en X,14..." (Mons. Straubinger), y el Angel Gabriel le dice expresamente: "Sábete, hijo de hombre, que la visión es para el TIEMPO DEL FIN" (IX,17).

(Se recomienda leer los cap. VII, VIII y IX)

Al Profeta Daniel se le ordena : "Tú, Daniel, CIERRA estas palabras, y SELLA el libro hasta el tiempo del fin". (XII,4)

Pero al Profeta del Nuevo testamento, San Juan el "amado del Señor", se le ordena lo contrario:

"NO SELLAR las palabras de la PROFECÍA de este libro -el Apocalípsis- pues EL TIEMPO ESTA CERCA" (XXII,10).

Ahora bien, si a Daniel se le ordena "CERRAR Y SELLAR" "hasta el TIEMPO DEL FIN", y a San Juan "NO SELLAR", por lo tanto de San Juan para adelante es el "tiempo del fin", y nosotros, los cristianos que vivimos veintiun (21) siglos después de él, estamos mucho más cerca del "fin" que San Juan. Desde él hasta nosotros ya se han cumplido muchas de las cosas de la PROFECÍA , entonces corresponde ubicarnos, según el Apocalípsis, en el tiempo de la Iglesia que nos ha tocado vivir en suerte, y no desatender las "señales".

Creemos que nosotros -los cristianos del siglo XXI- estamos ubicados en el sexto período, pre-parusíaco, ( Iglesia de Filadelfia= ver ntra. nota), por tanto conviene "leer" y escrutar lo que Dios, bondadosísimo Señor, nos ha anunciado para que no desfallezcamos, sino que seamos confortados y confirmados en la Fe y en la Paciencia de Jesús, para afrontar lo inevitable -que Dios nos reveló de antemano- pues se "acerca el Reino de Dios" precedido por la PRUEBA o GRAN TRIBULACIÓN, que será corta por amor a los elegidos.

Para nuestro propósito sólo haremos incapié en las "bestias" que ven aparecer los DOS PROFETAS, y allí remitimos al lector para que tenga un panorama más vasto. Veamos:

DANIEL PROFETA:

Ve salir del mar cuatro grandes bestias: una como león, otra como oso, otra como leopardo. Se destaca la cuarta siendo "espantosa y terrible" diferente a las otras tres. Esta tiene 10 cuernos -"cuerno" en la Escritura significa "poder"- y uno pequeño que crecía entre ellos y le fueron arrancados tres. El "cuernito" tenía ojos como de hombre y una boca que profería cosas horribles.

SAN JUAN:

Ve salir del mar una bestia con 10 cuenos y 7 cabezas con nombres de blasfemia. Era semejante a la pantera, con patas de oso y boca de león. Una de las cabezas herida de muerte, fue sanada y se maravilló toda la tierra y se fue en pos de la bestia.

Los DOS PROFETAS ven salir las bestias "del mar"

"El mar" metafóricamente en la Escritura, y en oposición a la "tierra" (que significa la Religión) significa los vaivenes del mundo -enemigo de Dios y de Cristo- y por tanto son imperios políticos culturalmente mechados de "nombres de blasfemia", es decir, falsamente religiosos e idólatras.
La Religión es lo que re-liga al hombre con el verdadero Dios, por eso sólo puede haber UNA y REVELADA por Dios mismo. El resto, las falsas, re-ligan con el Diablo, porque "los dioses de los paganos (ídolos) son demonios" dice la Escritura.

Las bestias que Daniel Profeta ve se resumen en la que ve San Juan, compendiando aquellas y agregándose a ésta siete cabezas y una con herida mortal que resurge por el poder del Dragón dado al "cuernito".

Las cabezas de esta bestia -explica el Angel- son siete reinos, es decir siete imperios políticos mechados de falsa religión, como dijimos. En tiempo de San Juan cinco habían caído, el sexto "está" -para San Juan- que era el Imperio Romano hasta la aparición del séptimo que "era, y no es y reaparecerá", no para San Juan sino para nosotros, es decir, la cabeza herida de la bestia que es sanada y de la cual surge y se hace grande el "cuernito", que es "el octavo", pero "es de los siete" -dice el Angel- "y va a su perdición": el Anticristo.

A ver, analicemos. ¿Hay en la actualidad algun imperio con estas características opuesto al Reino de Cristo?

Nosotros creemos que sí y que como bestia feroz al acecho se está terminando de "curar" de su derrota. El imperio del que se servirá el Anticristo -y no sólo como invasión cultural sino como instrumento falsamente religioso y sacrílego por el que impondrá su adoración como si fuera Dios, a través de la fuerza, el miedo y la guerra, es el islamismo ya instalado y al acecho en todo el mundo. Históricamente fue derrotado y parado por la España Católica, pero no ha muerto y esta por resurgir: es la cabeza herida de muerte, el imperio que "era, y no es, y está por subir de las naciones y va a su perdición" (Apoc. XVII,8). Obsérvese que su descripción es la parodia del Nombre de Jesucristo: "El que Es, El que Era y El que Viene".

Paralelamente vemos también que la antigua barrera ha sido quitada: el "Eufrates está seco", lo cual significa que "el SEXTO FRASCO" ha sido volcado y se anuncia la extinción de la "tercera parte de los hombres" a traves "del fuego, del humo y del azufre" (Apoc. IX, 13-21), entiéndase: guerra y matanzas mundiales...

Entonces alertamos para el que quiera entender: ¡ Esto es AHORA, en nuestro tiempo!:

SEXTO período de la Iglesia (Filadelfia, III, 7-13) = 6

SEXTO frasco volcado sobre el Eufrates (XVI,12) = 6

SEXTO sello abierto (VI, 12-17) = 6

*"el sol negro": herejías y apostasía.

*"la luna sangrienta": la media luna del Islám hasta completarse "Donec impleatur"

*"estrellas caen del cielo": explosiones atómicas y misiles.

Cuando algo va llegando a su fin se precipita en velocidad: todo va más rápido:

Estamos viendo crecer al "cuernito" cuyo ídolo es Marte: dios de la guerra.

Estamos viendo crecer un pueblo que ya ha "invadido" todo el mundo y se está convirtiendo en imperio: ama la guerra santa.

Estamos viendo la "Bestia del mar": el Anticristo, sustentado y sestentendo a este imperio cruelísimo y bélico.

Estamos viendo la "destrucción de la prostituta" (Apoc.XVII,16), aborrecida por la Bestia y los "diez reyes" sirvientes del Anticristo: Fin de Roma.

"Aquí la sabiduría: quien tiene entendimiento calcule la CIFRA de la bestia. Porque es CIFRA de hombre: su CIFRA es seiscientos sesenta y seis" (Apoc. XIII, 18).

No creemos que se trate de un NOMBRE, sino -como dice el texto- de una CIFRA de hombre, y así lo hemos puesto, creyendo que el "666" designa justamente lo expresado: los acontecimientos presentes, contemporáneos a nosotros, considerando como la "bestia" al Anticristo personal y a su imperio resurgido. Poco interesa el NOMBRE del que sabemos que cae vivo en el infierno y a quien Jesucristo ni siquiera quiso nombrarlo: "otro vendrá en su nombre y lo recibiréis" dijo a los judíos, quienes antes de su conversión a la Fe, lo recibirán como "Mesías".


Por otra parte la "bestia de la tierra" "la que tiene cuernos como cordero pero habla como Dragón" hace rato que existe y ha favorecido la disolución de lo que "obstaculizaba" (II Tesalonicenses) la aparición de "la bestia del mar" para ser adorada como si fuera Dios: es la pseudo iglesia idolátrica y apóstata nacida en el "vaticano II" que tanto ha pervertido y continúa ablandando las conciencias de los cristianos para que no ofrezcan resistencia a la imposición de la "marca" del Anticristo; porque , dice la PROFECIA, "Hizo que la tierra y sus moradores adorasen a la bestia primera que había sido sanada de su herida mortal".


El "cuernito" que se hizo grande perseguirá a los verdaderos cristiamos -los que adoren y reconozcan como UNICO SEÑOR a Jesucristo, quienes mantendrán la Fe en la Paciencia y el Martirio (Apoc. XIV, 12-13)- y prevalecerá contra ellos "hasta que vino el Anciano de dias y el juicio fue dado a los santos del Altisimo y llegó el tiempo en que los santos tomaron posesión del reino" (leer Daniel VII, 15-27 y Apoc. XX,4).


Pero antes deberán pasar por esta PRUEBA y GRAN TRIBULACIÓN, que anuncian Daniel, Jesucristo y San Juan...

+ Julio Aonzo

sábado, 3 de outubro de 2009

Diretor de rádio zelaysta acusa os judeus de tramarem contra Zelaya e lamenta, no ar, que Hitler não tenha cumprido sua missão histórica


Por Reinaldo Azevedo

Se vocês clicarem aqui, terão acesso a um vídeo em que poderão ouvir a voz de David Romero, diretor da rádio Globo, que apóia Manuel Zelaya. É aquela rádio que sofreu intervenção do governo interino, acusada de incitar a violência, e que deixou os bolivarianos brasileiros excitadíssimos. Ouvindo o que está aí, vocês têm uma noção de quem é aquela gente. Zelaya havia acusado a existência de um complô judaico para matá-lo com gás e radiação de alta freqüência. Por incrível que pareça, alguns jornalistas brasileiros caíram na conversa. Já escrevi um post aqui em que demonstrei as raízes anti-semita do bolivarianismo chavista. Ouçam o que vai aí. Abaixo, publico uma tradução de trecho da fala.


Às vezes, eu me pergunto se Hitler não teve razão de haver terminado com essa raça, com o famoso Holocausto. Se há gente que causa dano a este país, são os judeus, os israelitas. Eu quero, esta tarde, aqui na rádio Globo, dizer, com nome e sobrenome, quem são os oficiais do Exército judeu que estão trabalhando com as Forças Armadas de nosso país e que estão encarregados de fazer todas essas atividades de conspiração e ações secretas. E [quero dizer] tudo o que está acontecendo ao presidente da República.


Depois que me informei, eu me pergunto por que não desejamos que Hitler tivesse cumprido sua missão histórica. Desculpem-me a expressão dura de repente. Porém eu me pergunto isso depois que fiquei sabendo disso e de outras coisas. Eu creio que teria sido justo e correto que Hitler tivesse terminado sua missão histórica”.


Na opinião de vocês, uma rádio que tem um diretor que faz tal avaliação, no ar, estaria mesmo empenhada em incitar a violência? Olhem, é com esse tipo de gente que se meteu o governo brasileiro; é essa metafísica influente que Lula e Celso Amorim se mostram dispostos a apoiar até o fim; é por gente que tem esse universo mental que o Brasil está se mobilizando. Estes são os apoiadores de Manuel Zelaya.


Passem adiante este post. Demonstrem quem são os aliados do Brasil nesta sua “aventura imperialista”.

La Santa Sede participará en la Conferencia General de la UNESCO de octubre

Una nutrida delegación de la Santa Sede participará en los trabajos de la Conferencia General de la UNESCO, organización dependiente de Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura, que tendrá lugar del 6 al 13 de octubre, en su sede de París (Francia). Para dicho evento, el Santo Padre Benedicto XVI (SIC) enviará un mensaje que será leído a los presentes durante la Santa Misa que celebrará monseñor Francesco Follo, observador permanente de la Santa Sede ante la UNESCO y a la que asistirán los participantes de la Conferencia General, así como los embajadores de los 193 países miembros, los jefes de las delegaciones, los representantes de las ONG de inspiración católica y personalidades de la sociedad civil que trabajan con la organización, según ha informado Radio Vaticano.

La delegación de la Santa Sede, compuesta por cinco representantes de varios dicasterios vaticanos, y 17 expertos, participará activamente en los diferentes debates de las comisiones especializadas, es decir, educación, ciencias exactas y naturales, ciencias sociales y humanas, cultura, comunicación e información.

Igualmente, intervendrán en las dos mesas redondas planteadas en esta reunión. La primera, del 9 al 10 de octubre, dedicada a revisar las enseñanzas de las cinco grandes conferencias internaciones de la educación en función de aportar ideas orientadas a una nueva educación para un nuevo siglo. Y la segunda, el 12 y 13 de octubre reflexionará sobre contribución de la UNESCO en la gestión responsable de los océanos.

Mais uma aberração da CNNBesta: Indicam a um abortista!

O secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Dimas Lara Barbosa, saiu em defesa nesta terça-feira da indicação do advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffoli, para o STF (Supremo Tribunal Federal). O bispo afirmou que Toffoli, católico de formação, tem competência para assumir a cadeira do ministro Menezes Direito no tribunal –morto há um mês.

“O ministro sempre tem declarado ser uma pessoa católica. O próprio padre Toffoli dá testemunho do irmão, não só falando da sua competência como também do seu proceder ético. Nesse sentido, esperamos que no Judiciário possa exercer sua função contando com a colaboração do futuro ministro de fazer a justiça acontecer no nosso país”, disse o bispo.


O advogado é irmão do padre José Carlos Toffoli, ex-secretário da CNBB. Toffoli será sabatinado nesta quarta-feira pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. Para ser indicado ao STF, o seu nome precisa ser aprovado no plenário da Casa.


Senadores da oposição prometem votar contra a indicação de Toffoli por considerá-la política. As críticas à indicação do advogado-geral da União para o STF estão ligadas ao fato de Toffoli não ser considerado um jurista de expressão, aliada à proximidade ao presidente da República e ao PT.


Reportagem da Folha afirma que Toffoli se formou pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco em 1990, aos 23 anos. Ele conta que trabalhou como caixa na Oficina de Pizzas, em São Paulo, na época de estudante, para se manter.


Aos 41 anos, Toffoli pode chegar ao STF depois de ter sido cotado sucessivas vezes nos últimos dois anos. Para se contrapor às lacunas em seu currículo, ele costuma citar o apoio interno que construiu depois de ter chegado ao órgão sob contestação por não ser concursado.


Ex-advogado do PT, Toffoli será a oitava indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o STF em seus quase sete anos de mandato.

sábado, 5 de setembro de 2009

A gnose e João Paulo II (Introdução)

Por Pe Basílio Méramo
Surpreenderá que se relacione a gnose com João Paulo II, mas, na realidade, é, em última instância, o único meio de se chegar a captar o profundo do seu pensamento e a significação histórica do seu pontificado para a Igreja e o Mundo.

Sem falar da gnose não se compreende o miolo do pensamento, nem o motivo do atuar de João Paulo II. Sem a gnose não se explica nem a teologia, nem a filosofia deste homem. Ainda mais, sem a gnose não se descobre a mola que impulsionou o Vaticano II, o qual tem um discípulo e genuíno interprete consumado em João Paulo II.

A gnose penetra a fundo no mundo moderno em seu afã de judaizar tudo e de corromper tudo o que é genuíno e verdadeiramente católico. Daí surge o imperativo de penetrar na Igreja para que ela se autodestrua de dentro mesmo. O qual exigia que ela entronizada por meio de um Concílio, tal como o foi o Vaticano II, que fez suas as idéias e os princípios da gnose, e que, através dela quis judaizar a Igreja cabalizando-a, pois a Cabala não é nada mais que a gnose judaica. Os judeus jamais abandonaram a gnose, uma vez que o judaísmo a assimilou contagiando-se com as aberrações doutrinais e conceituais dos povos pagãos, submergidos no erro como justa paga por sua apostasia da lei primitiva, a qual renegaram submergindo-se nas trevas do paganismo, o qual não é outra coisa que a apostasia dos homens da primitiva lei, do mesmo modo que o politeísmo característico dos povos pagãos, como assinala com grande sabedoria Mons. Satraubinger em seu comentário sobre a Bíblia: "é uma depravação do monoteísmo primitivo" e que "não há, pois, dúvida, de que o politeísmo é um produto da apostasia da religião primitiva." (Nota 1 do Gênesis 1)

E como bem observa o venerável e querido Pe Meinvielle no prólogo do seu livro "Da cabala ao progressismo", ed. Calchaqui, Salta 1970, racalcando com profunda penetração teológica da história que:

"(...) através da história humana não há senão duas atitudes fundamentais de pensamento e de vida: uma, a católica, que é a tradição recebida de Deus por Adão, Moisés e Jesus Cristo, e cujo insuperado expositor foi Santo Tomás de Aquino; a outra, a gnóstica e cabalística, que alimenta os erros de todos os povosna gentilidade e na apostasia do judaísmo primeiro e logo na do cristianismo mesmo, e que se verifica de modo particular no mundo moderno." (p.7)

Logo, não é de se surpreender que a gnose tenha penetrado de um modo muito peculiar na Igreja, através de um Concílio como o Vaticano II, e que nutra o pensamento de seus mais representativos personagens e mais fervorosos propagadores, como foi o caso do Cardeal Karol Wojtyla que hoje (na época em que este livro foi escrito, n.d.t) dirige como papa a Igreja em Roma, tendo como objetivo principal de seu pontificadoo pôr em prática o Concílio Vaticano II, como afirma em seu excelente livro Johannes Dörmann: "La Theologie de Jean Paul II et l'Esprit d'Assie", ed. Courrier de Rome, 1995, p. 21.

Fica suficientemente clara a necessidade de se conhecer o substrato do pensamento de João Paulo II e do Concílio Vaticano II, impregnados de gnose.

É, pois, de suma importância, detectar a gnose em João Paulo II e no Concílio Vaticano II.

domingo, 30 de agosto de 2009

MONS. PEDRO THUC FALA SOBRE A IGREJA CATÓLICA EM SEU PAÍS



UNE PAGE SUR L'ÉGLISE DU VIETNAM


par S.E. Mgr. Pierre Martin Ngô-dinh-Thuc


CONSECRATION


J'étais alors Archévêque Metropolitain de Huê ayant plusieurs Évêques suffragants, c'est pourquoi le Saint Siège me demanda de sacrer évêques plusieurs prêtres viêtnamiens: Ils étaient 5 candidats à l'épiscopat: deux d'entre eux étaient des prêtres que j'avois envoyés en France pour s'habituer à parler français (le Viêtnam alors était possession française). C'étaient l'abbé Nguyen-ngoc-Quang-Jacques, el l'abbé Trân-vàn-Thiên, devenus plus tard évêque de Cântho et de My-tho; le troisième, l'abbé Philippe Nguyen-Kim-Dien, devenu plus tard mon successeur à l'archevêché de Huê; le quartième était tonkinois, devenu évêque de Ban-mê-thuot dans les Hauts-Plateaux du Sud Viêtnam, son nom est: Mgr. Pierre Nguyen-hay-Mai; le dernier est Mgr. Nguyen-Khac-Ngu Michel, évêque de Long-xuyen (Sud Viêtnam), il est aussi d'origine Tonkin.


Pourquoi j'ai été choisi pour sacrer ces prêtres? Car, d'ordinaire, c'était le représentant du pape qui le faisait. En voici la raison: si le représentant du St. Père était évêque, arrivé à l'âge de retraite, il serait à la charge du Pape; tandis que s'il n'avait pas l'épiscopat, c'état son diocèse d'origine qui devait s'occuper de lui.


Donc, quand le Pape successeur de Pie XII. permit à ses représentants d'accêder à lépiscopat, ils se précipitaient dans leur patrie d'origine pour se faire sacrer évêque.


Donc, le Saint Siège m'a invité à sacrer les 5 candidats en question. Habituellement le prélat devenu évêque offrait à son consecrateur 2 gros cièrges. Or les 5 évêques sacrés par moi, conservaient pour eux les cièrges, et moi, j'ai eu l'honneur de sacrer 5 évêques gratis pro Deo.


MARTYRS

Le Viêtnam catholique a donné à l'Église autant de martyrs que les chretiens de Rome pendant la persécution de Néron, mais nous n'avons que peu de martyrs béatifiés, car nous sommes trop pauvres pour payer les frais d'une canonisation.


Dans ma familie, tous les miens sont morts martyrs, brûlés dans l'incendie de l'église du notre paroisse, le curé en tête; une seule personne a échappé au feu. C'était une petite fille âgée alors de 7 ans. Quand l'église brûlait, elle sauta au dehors sous le corps d'un homme à demis mort, qui lui dit: "caches toi sous moi, et lorsque les payens seront partis, tu prendras la fuite." Ce qu'elle fit, elle est devenue après une religieuse, mais toute sa vie, elle regrettait toujours de n'être pas restée dans l'église de sa paroisse et être brûlée avec les autres.


Mais, demandez-vous: comment votre père a pu échappé à ce martyre? Mon père était alors dans le séminaire à Poulo-Pinang, séminaire fondé par les Missions Ètrangrès de Paris. Ces séminaristes une fois finis leur cours de latin, puis de philosophie, et de théologie rentrerent dans leurs patries pour être sacrés prêtres par le Vicaire apostolique du lieu.


Mon père fit comme ses confrères, mais il attendit plusieurs années sans recevoir les ordres. L'évêque lui confia d'enseigner la philosophie et la théologie aux grands séminaristes, mais il restait toujours laïque. À la fin, le Père Directeur du Grand Séminaire le convoqua et lui dit: Vous ne serez jamais ordonné prêtre, parce que notre Évêque a voulu ne d'en ordonner qu'un certain nombre, et hélas! vous êtes en dehors de ce nombre, donc rentrez dans le monde en outre, votre mère est très vieille, elle n'ait de quoi vivre, vous avez le devoir de la secourir." Mon père alors quitta le grand séminaire et ses élèves, pour obéir aux conseils au Père supérieur. Ce Père lui donna quelques sous pour passer le bac qui faisait le service entre le séminaire e le fleuve "des Parfums" pour y prendre sa mère avec lui. Il se rendit ensuite à la paroisse tout proche dont le curé était le Père Allys, un breton et lui exposa sa situation. Le Père Allys (en vietnamien: Cô Ly) l'emmena chez les officiers français pour être leur interprète auxprès des Viêtnamiens. Ces officiers parlaient en latin à mon père; celui-ci le traduisit en viêtnamien, (alors on les appelait: annamites: du nom du pays: Annam: qui se traduit du chinois: "le Sud pacifié". Le mot "Viêtnam" n'a été employe que récemment. Il signifie le Viêt du Sud. Car les Viêtnamiens prétendent qu'il y a aussi encore des Viêtnam du Nord, dans les montagnes et forêts de la Chine actuelle. Car les Viêtnamiens prétendent que autrefois leurs ancêtres occupaient toute la Chine jusqu'à territoire de l'actuel Pékin, et qu'ils auraient été refoulés vers le Sud par les anciens chinois qui venaient des steppes du Nord.)


Donc, mon père en travaillant comme interprète auprès des officiers français, apprit très vite la langue française. - Plus tard, il resolut d'enseigner le français aux jeunes viêtnamiens. Pour cela, il ouvrit le premier collège francoviêtnamien, à Hué, la capitale du Viêtnam: il nomma ce collège: "quôc hoc" qui veut dire: "Collège national". Dans ce collège il y avait une classe réservée aux lauréats viêtnamien en caractères chinois. Mon père leur enseigna le français. Grâces à ce savoir, ses élèves devinrent de grands mandarins du royaume, certains d'entre eux devinrent ministres de l'empereur, et par reconnaissence envers mon père, ils favorisaient mes frères quand ils cherchaient à entrer dans le mandarinat. Car les "Annamites" considéraient le vertu de "reconnaissance" comme une des plus grandes parmi les vertus.


Parmi les obligés de mon père se trouvait une personne très intelligente et très sage dont le nom est: "Nguyen-huu-Bai." Mon père le connût au séminaire, quand il y était professeur, et Mr. Bai séminariste; et plus tard quand Mr. Bai quitta le séminaire, mon père lui confia ses fonctions de mandarin. C'était grâces à cet appui que Mr. Bai devint petit à petit le premier ministre de la Cour d'Annam, et duc de Phouc-môn. C'est moi qui l'assistai à son chevet mortuaire et conduis au tombeau qui est dans son domaine dont le nom est "Porte du Bonheur".


Mon frère aîné: NGO-dinh-KHÔI avait épousé la fille aînée de Mr. Bai. Elle lui donna un garçon. Ce garçon devenu jeune homme voulut mourir avec son père, quand celui-ci refusa de collaborer avec les communistes qui lui avait proposé de travailler avec eux: il leur dit: "Je suis catholique, ma religion m'interdit de collaborer avec vous." Les communistes furieux le condamnerent à être enseveli vivant dans un puit profond. Son fils se jeta dans ce puit, et les deux martyrs pour la Foi moururent fusillés par les communistes et enfouis dans ce puit. Quand plus tard les communistes furent chassés du Sud Viêtnam par mon frère NGO-dinh-DIÊM, il fit transférer leurs restes dans le grand sépulchre que possède notre familie près de la Cathédrale de Phûcam, Cathédrale de l'archevéché de Huê.


C'est ainsi que notre famille offrit au Seigneur l'aîné de notre familie.


Munich le 1er Mars 1982(sig.:)


† Petrus Martinus Ngô-dinh-Thuc

Ancien Archévêque de Huê


(Em breve também traduziremos este texto, mas fazemos questão de colocá-lo em nosso blog de imediato, para que os nossos irmãos de língua francesa, que nos acompanham de várias partes do mundo, possam lê-lo desde já.)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

MAIS UM VÍDEO: MONS. PIVARUNAS NO MÉXICO EM 1996

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Le plan maçonnique d'infiltration de l'Eglise romaine

Voici des extraits du plan d’infiltration de l’Église ro­maine, élaboré par la franc-maçonnerie italienne et découvert par la police du pape Pie IX: « Ce que nous devons chercher et attendre, comme les juifs attendent le messie, c’est un pape selon nos besoins [...]. Pour nous assurer un pape dans les proportions exigées, il s’agit d’abord de lui façonner, à ce pape, une génération digne du règne que nous rêvons. Laissez de côté la vieillesse et l’âge mûr; allez à la jeunesse [...]. Dans quelques années, ce jeune clergé aura, par la force des choses, envahi toutes les fonctions; il gouvernera, il administrera, il jugera, il formera le conseil du souverain, il sera appelé à choisir le pontife qui devra régner, et ce pontife, comme la plupart de ses contemporains, sera nécessairement plus ou moins imbu des principes [...] que nous allons commencer à mettre en cir­culation [...]. Que le clergé marche sous votre étendard en croyant toujours marcher sous la bannière des clefs apostoliques [...]. Vous aurez prêché une révolution en tiare et en chape, marchant avec la croix et la bannière, une révolution qui n’aura besoin que [...] d’être un tout petit peu aiguillonnée pour mettre le feu aux quatre coins du monde » (in: Crétineau-Joly: L’Église romaine en face de la révolution, 1859, réédition Paris 1976, 1. II, p. 82 - 90).

À l’époque du concile de Vatican I, un haut dignitaire de la maçonnerie se réjouit de « l’appui précieux que nous trouvons depuis plusieurs années dans un parti puissant, qui nous est comme un intermédiaire entre nous et l’Église, le parti catholique libéral. C’est un parti que nous tenons à ménager, et qui sert nos vues plus que ne pensent les hommes plus ou moins éminents qui lui appartiennent en France, en Belgique, dans toute l’Allemagne, en Italie et jusque dans Rome, autour du pape même » (in: Mgr Delassus: Vérités sociales et erreurs démocratiques, 1909, réédition Villegenon 1986, p. 399).



Léon XIII (encyclique Inimica vis, 8 décembre 1892) mit en garde l’épiscopat d’Italie. « Les sectaires maçons cherchent par des promesses à séduire le clergé inférieur. À quelle fin? [...] Ce qu’ils veulent, c’est de gagner doucement à leur cause les ministres des choses sacrées, et puis, une fois enlacés dans les idées nouvelles, d’en faire des révoltés contre l’autorité légitime ».



Léon XIII mourut en 1903. La franc-maçonnerie souhaita l’élection d’un successeur imbu de l’esprit maçonnique. Voici le portrait du candidat idéal, esquissé en 1903 par la revue maçonni­que Acacia: « Un pape qui desserrerait les liens du dogmatisme tendus à l’excès, qui ne prêterait pas l’oreille aux théologiens fanatiques et dénonciateurs d’hérésies, qui laisserait les exégètes travailler à leur guise, se bornant à maintenir une unité qui serait plutôt une solidarité entre les diverses branches de l’Église, qui n’entrerait pas en lutte avec les gouvernements, qui pratiquerait et recommanderait la tolérance entre les autres religions, même envers la libre-pensée, qui ne renouvellerait pas l’excommunication de la franc-maçonnerie » (Acacia, septembre 1903, in: Lecture et Tradi­tion, no 94, mars/avril 1982).



En 1903, les catholiques faillirent avoir pour pape, à la place de Giuseppe Sarto (Saint Pie X), le cardinal franc-maçon RampoIla, secrétaire d’État de Léon XIII. Il concentra sur lui la majorité des voix, mais fut écarté suite à l’intervention de l’Empire austro-hongrois.



Malgré cet échec ponctuel, le plan maçonnique ne fonctionna que trop bien. Le pape saint Pie X (encyclique Notre charge apostolique, 25 août 1910) dénonça les infiltrations maçonniques dans le « Sillon » (mouvement de la jeunesse chrétienne française). « Nous ne connaissons que trop les sombres officines où l’on élabore ces doctrines délétères, qui ne devraient pas séduire des esprits clairvoyants. Les chefs du Sillon n’ont pu s’en défendre: l’exaltation de leurs sentiments, l’aveugle bonté de leur cœur, leur mysticisme philosophique mêlé d’une part d’illuminisme, les ont entraînés vers un nouvel évangile, dans lequel ils ont cru voir le véritable Évangile du Sauveur, au point qu’ils osent traiter Notre Seigneur Jésus-Christ avec une familiarité souverainement irrespec­tueuse, et que, leur idéal étant apparenté à celui de la révolution, ils ne craignent pas de faire entre l’Évangile et la Révolution des rapprochements blasphématoires ».



Le clergé était également infiltré. Sentant les « modernistes » (clercs ayant adopté les principes maçonniques du rationalisme, du subjectivisme, de l’indifférence en matière de religion et de réforme de l’Église) rôder autour de lui, ce saint pape s’écria angoissé: « Ennemis de l’Église, certes ils le sont, et à dire qu’elle n’en a pas de pires, on ne s’écarte pas du vrai. Ce n’est pas du dehors, en effet, on l’a déjà noté, c’est du dedans qu’ils trament sa ruine; le danger est aujourd’hui presque aux entrailles mêmes et aux veines de l’Église » (encyclique Pascendi, 8 septembre 1907).



Dans les années vingt, la conjuration avait pris des proportions alarmantes, car non seulement le bas clergé et la jeunesse, mais aussi une partie notable du haut clergé militaient désormais sous la bannière de la révolution. Lors du consistoire secret du 23 mai 1923, Pie XI interrogea une trentaine de cardinaux de la curie sur l’opportunité de convoquer un concile œcuménique. Le cardinal Boggiani estima qu’une partie considérable du clergé et des évêques étaient imbus des idées modernistes. « Cette mentalité peut incliner certains Pères à présenter des motions, à introduire des méthodes in­compatibles avec les traditions catholiques ». Le cardinal Billot était encore plus franc. Il exprima sa crainte de voir le concile « manœuvré » par « les pires ennemis de l’Église; les modernistes, qui s’apprêtent déjà, comme des indices certains le montrent, à faire la révolution dans l’Église, un nouveau 1789 » (in: Mgr Marcel Lefebvre: Ils l’ont découronné. Du libéralisme à l’apostasie. La tragédie conciliaire, Escurolles 1987, p. 158 - 159).



À la mort de Pie XII, le rêve de la maçonnerie se ré­alisa: une « révolution en tiare et en chape ». Angelo Roncalli (qui s’était fait initier dans une société secrète en Turquie en 1935, puis s’était affilié à une loge maçonnique à Paris) prit le nom de « Jean XXIII ». Il convoqua Vatican II, qui bouleversa entièrement la reli­gion, par exemple en proclamant la « liberté de pensée, qui, partie de nos loges maçonniques, s’est étendue magnifiquement au-dessus du dôme de Saint Pierre » (Yves Marsaudon: L‘œcuménisme vu par un franc-maçon de tradition, 1964, p. 121).



Les partisans du changement s’appellent « conciliaires » (nom dérivé du « conciliabule » Vatican II). Les opposants s’appellent « catholiques » (en raison de leur attachement au catholicisme).



* * *



Depuis 1958, Rome prend le contre-pied de ce que la papauté a toujours enseigné. Certaines personnes font alors le syllogisme suivant: toutes les fois qu’il ne définit pas solennellement ex cathedra un dogme, un pape peut se tromper. C’est pourquoi on n’est pas tenu de lui obéir, chaque fois qu’il enseigne ou commande quelque chose de contraire à la foi. Les hommes au pouvoir à Rome depuis 1958 profèrent des hérésies, mais pas ex cathedra. Donc ces hommes sont papes.



D’autres personnes établissent un syllogisme différent: l’enseignement ex cathedra est véhiculé non seulement par le mode « extraordinaire » (définitions solennelles), mais encore par le mode « ordinaire » (écrits de tous les jours). Un pape ne se trompe à aucun moment dans le domaine de la foi, car il est sans cesse assisté par le Saint-Esprit, conformément à la promesse formelle du Christ (Jean XIV, 15 - 17). « Comment un pape vrai successeur de Pierre, assuré de l’assistance de l’Esprit-Saint, peut-il présider à la destruction de l’Église? » (Mgr Lefebvre, in: Bonum certamen, no 132, Nancy). Cette défaillance ne serait-elle pas le signe que les hommes gouvernant le Vatican depuis 1958 ne sont pas de véritables papes, mais des usurpateurs, des occupants illégitimes du Siège de Pierre?



Ces façons d’envisager le problème sont logiques toutes les deux. Seulement, un syllogisme peut être logique tout en étant faux. Car tout dépend des prémisses desquelles on tire une conclusion. Si une prémisse est fausse, on arrive, par un raisonnement en lui-même logique, à une conclusion fausse. Avant de commencer à raisonner en bon logicien, il est donc indispensable de s’assurer que les bases sur lesquelles s’appuie le raisonnement correspondent à la réalité. « La plupart des erreurs des hommes viennent moins de ce qu’ils raisonnent mal en partant de principes vrais, que de ce qu’ils raisonnent bien en partant de jugements inexacts ou de principes faux » (Charles Augustin Sainte-Beuve: Causeries du lundi, Paris 1851-1862, t. X, p. 36)



Afin de ne point raisonner dans le vide, nous avons entrepris une vaste enquête théologique, historique et canonique. Nous avons recueilli bien des informations et documents, afin de constituer une base très solide à cette étude, dont le plan est exposé au point suivant.




(MYSTÉRE d'INIQUITÉ, chapitre 1, partie 1.4.2)


(Em breve traduziremos partes as partes mais relevantes desta obra prefaciada por Mons. Dolan)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

FIRME PROFISSÃO DE FÉ CATÓLICA: O CREDO ATANASIANO


1. "Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.

2. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.

3. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.

4. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.

5. Porque uma so é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.

6. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade.

7. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.

8. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.

9. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.

10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.

11. E contudo não são três eternos, mas um só eterno.

12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.

13. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.

14. E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.

15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.

16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus.

17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.

18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.

19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, domesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.

20. O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.

21. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.

22. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.

23. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.

24. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.

25. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.

26. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.

27. Mas, para alcancar a salvacão, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

28. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.

29. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe.

30. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.

31. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.32. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo.

33. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.

34. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.

35. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.

36. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.

37. Subiu aos Ceus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

38. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.

39. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno.

40. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar".

CARTA ABIERTA A LOS SRES. OBISPOS CATOLICOS-SEDEVACANTISTAS


Excelencias:

No me lleva a escribir esta carta ningún otro movimiento de mi alma que no sea la Caridad, según el "mandamiento nuevo" que antes de Su Pasión, Ntro. Salvador dio a los Apóstoles:"Que os améis unos a otros: para que así como Yo os he amado, vosotros también os améis unos a otros.En esto reconocerán todos que sois discípulos míos, si tenéis amor unos para otros"(Sn.Jn.)


Pido que no digan " que nos viene a enseñar éste que está envuelto en pecados", que me juzgue El que no los tiene, pero no miren quién escribe, sino lo qué escribe, que es resultado de ver cómo está tán resentida la Iglesia Católica dispersada en cientos de rebañitos sin el principio de la unidad y de gobierno que es el Sumo Pontífice.Aunque retirado del ministerio hace 15 años, tengo no obstante el carácter sacramental que no se pierde, así como tampoco he perdido la Fe y la conservo intacta por pura gracia de Dios: "En Dios esperó mi corazón y fui socorrido"(Ps.XXVII).


Beso sus anillos espicopales como si fueran mis señores, aunque sean mis iguales por el Orden Episcopal, y de rodillas les envío esta carta nacida del profundo amor y respeto que les profeso por ser consiervos del mismo y único Señor y Salvador, y Capitanes de Su ejército, pero nacida también de un profundo dolor producido por lo que a continuación les detallo."YA NO DURMAIS, NO DURMAIS" Sta. Teresa


Sabemos que Dios saca bien del mal y confiamos en el poder de Ntro. Señor y Salvador Jesucristo, pero esta verdad no nos tapa los ojos ni nos ata las manos.Vemos con dolor y casi con impotencia insalvable el número cada vez más creciente de capillitas, congregaciones, sociedades, que cada nuevo obispo funda, como que esa fuera la razón que tienen para seguir existiendo, ellas sólo con él y él por ellas.Decimos que vemos con dolor cómo los obispos, que deben sostener y mantener la Fe Católica contra los errores y la apostasía están ocupados en cómo hacer crecer "su" rebañito de fieles a los cuales NADIE les encomendó.Vemos con dolor cómo se dispersan las fuerzas en un combate restringido para conservar su "autoridad" -sin cargo ni jurisdicción- atribuyéndose honores y cuidados no debidos en unos tiempos -como los nuestros- en los que por sobre todos los otros cuidados -que son accesorio y consecuencia- deberían ocuparse con urgencia y aún a costa de perder "sus" lugares -que nadie les dio- de unificar la Iglesia en una sola Cabeza, siendo que únicamente podrán apacentar y regir, como verdaderos pastores, si su autoridad y jurisdicción es afirmada, robustecida y vindicada por el Pastor Supremo y Universal.No sabemos ¡hasta cuándo! seguirán mirando para otro lado al conminarlos -en el Nombre de Quien dicen amar- a trabajar DE UNA VEZ POR TODAS para que haya un sólo rebaño y un sólo Pastor, que es la única manera para que no sigan siendo "una muchedumbre de obispos confusa y perturbada" (León XIII) que contribuyen con su indolencia a la negación tácita y práctica de la Visibilidad de la Iglesia; porque el fundamento VISIBLE, instituído por el mismo Jesucristo, que le da fuerza y solidez ES EL PAPA y no ellos, aunque sean muchos y santos.La caridad más grande que pueden demostrar a Dios y a los fieles es que vean que se desviven y desangran por el bien eterno de las almas llevándolas al único redil de Cristo regido y gobernado por el Sumo Pontífice; siendo este, hoy, su deber más sagrado. Todo lo demás es como golpear al aire.Señores Obispos: "¡ Ya no durmáis, no durmáis, pues que no hay paz en la tierra!" (Sta. Teresa)


+ Julio Aonzo

Argentina, 17 de agosto de 2009


P.S.: La propuesta es la de reunir CUANTO ANTES en un Concilio a todos los Obispos Católicos Sedevacantistas para "pulir" el lenguaje y distinguir y separar la Unica Iglesia Católica inmaculada y perfecta de la Gran Ramera Apostática. Hecho ésto proceder a un cónclave. No existe ninguna razón para no llevarlo a cabo.Descargo: Que Dios no me reproche haberme "dormido" en esta "Agonía". La voz de alerta fue dicha. El tiempo vuela y el Señor viene.

PEQUENO DOSSIÊ SOBRE MONTINI

Tomado de RADIOCRISTIANDAD

El saber de la condición personal del autor ayuda a entender el sentido de su obra; por eso, antes de comprar un libro muchos tenemos en cuenta la biografía y el pensamiento de quien lo escribió. Sus libros, como hijos suyos, llevarán sus rasgos. De la misma manera es básico conocer la vida y la persona de los papas que engendraron la Iglesia del Concilio Vaticano II. De modo que mejor que enredarnos en la prosa de ‘la hermenéutica de la reforma’, o de si el irenismo mundialista es, o no es, fruto espontáneo del Concilio, deberíamos indagar de qué palo son las astillas. Porque es tonto protestar del menú envenenado sin investigar la cocina y al cocinero. Que nuestros pastores no se atrevan a este sensato proceder es, sin duda, porque el duelo les pesa menos que el arrepentimiento. Por eso algunas autoridades denuncian muy honrosos los errores inocultables para descargar de vergüenza a su vanidad y, en contrapartida, escabullirse del deber de rectificar. Aunque vivan en la hipocresía más nauseabunda. (Mt 23, 27)

Veamos, pues, que igual que un texto se descalifica por la perversidad de su autor, por más académica que sea su prosa, la vuelta del revés de la Iglesia no es culpa del siglo ni de los idus de marzo sino, más cierto, lo que podía esperarse del calibre de santidad de sus últimos pontífices. No nos intimide la verdad, que esta situación ya nos la previno Cristo para cuando viéramos «que la abominación de la desolación… se aposentara en el lugar santo.» (Mt 24, 15)

Empecemos, pues, con algunas informaciones sobre Juan Bautista Montini, Pablo VI, que fue cocinero muy principal de este menú reformista de la fe católica.

1) Educación sacerdotal bajo control de su madre.- Se dice que si no estudió en el seminario fue por su débil salud. Pero otros opinan, de acuerdo a la Iglesia de aquel entonces, que influyó más que la familia fuera sospechosa de actividades clandestinas revolucionarias. Por otra parte estaba el interés de la madre, opuesto al rigor docente de aquellos años, en no arriesgar que el seminario cambiase la formación de su hijo, peligro que desaparecía si estudiaba en casa. Su padre era editor de un periódico favorable a la Revolución y al comunismo, bajo el antifaz de militancia cristiano-demócrata. Así, el joven Juan Bautista no se apartó de un clima familiar totalmente contrario al sentir de la Iglesia, si bien la señora Montini y el prelado que le facilitó estudiar fuera del seminario publicitaban su piedad y virtudes cristianas… De ser verdad, sería único caso entre todos los miembros de la familia.

2) Actividades subversivas.- El señor Salvatore Macca,* vecino de Brescia, nos cuenta de los Montini algo que se supone conocería por su fácil acceso a informes y atestados policiales. Este caballero, Gran Cruz de Italia, nos cuenta en el número 380 de la revista ‘Chiessa Viva’, que en la casa del futuro Pablo VI se fabricaban explosivos “con tubos metálicos rellenos de tritol”. La familia Montini había refugiado bajo su techo al partisano comunista, y terrorista, Leonardo Speziale. Éste, años después, contó a los señores Gianfranco Porta y Maurizio Magri que la víctima de su primer atentado fue Ciro Miraglia, el Director de la cárcel de Brescia, cuando el 31 de octubre de 1943 circulaba en bicicleta por la vía Spalti S. Marco. La explosión lo descuartizó a él y a un soldado de 19 años que le acompañaba.

* Presidente Emérito de la Audiencia Territorial de Brescia y Presidente Honorario del Tribunal de Casación.

3) Caso Tondi.- Mons. Juan Bautista Montini, en su puesto de Pro-Secretario de estado, era ya muy activo en misiones subversivas aunque, por supuesto, cuidando no le salpicase ninguna responsabilidad. Para ello se instrumentaba con terceras personas. Así, la elección del joven jesuita Alighiero Tondi para secretario particular. Este cargo le permitía libre acceso a los archivos e informes confidenciales. Por ejemplo, los nombres y destinos de los sacerdotes que Pío XII mandaba a la “Iglesia del silencio”, en la URSS, de lo que el P. Tondi informaba a la policía soviética, que los encontraba y los mandaba a la cárcel, o a Siberia. El paso de Tondi por la Secretaría de Estado fue también decisivo para montar la red de curas comunistas que operarían en Hispanoamérica. No se pudo probar implicación directa de Mons. Montini, pero la firme sospecha obligó a Pío XII a apartarle de la Secretaría de Estado y, “Promoveatur ut moveatur”, nombrarle Arzobispo de Milán con negativa histórica la entrega del capelo cardenalicio que le correspondía a la diócesis. No es verdad que Mons. Montini lo rechazara por humildad.

4) Las puertas de bronce de la Basílica de San Pedro.– En el cuarterón de la Puerta del Bien y del Mal, la figura que corresponde a Pablo VI intencionadamente está de perfil, para mostrar el dorso de la mano izquierda con una estrella de cinco puntas ─pentáculo masónico ─ que poco después fue borrada. (Pero quedan las fotografías.)

5) Monumento en Varese.– En la catedral de Sacro Monte el escultor Floriano Bodini dedicó una estatua a Pablo VI, por encargo de Mons. Pasquale Macchi. Si bien la escultura parece enaltecer al Papa, en realidad exalta a la masonería por los signos masónicos que la adornan, entre ellos una oveja de cinco patas. La estatua fue inaugurada el 24 de mayo de 1986 por el Ministro de Exteriores, señor Giulio Adreotti, y por el Secretario de Estado vaticano, Cardenal Agostino Casaroli, que bendijo el monumento. Tanto Pasquale Bacchi, como Giulio Andreotti y el Cardenal Agostino Casaroli pertenecían a la masonería, según la lista Pecorelli y la anterior de los obispos alemanes.

6) Cementerio familiar.– En Verolavechia, en un pequeño recinto del cementerio rodeado por una tapia de 1m 60 cm, pocos años atrás aumentada a 2m 50cm, se guarda el tumulario de su padre y de su madre. Los símbolos son variados, de identidad masónica y judía. Ninguno netamente cristiano.

7) Exabrupto de Mons. Escrivá.– Alberto Moncada, en “Historia oral del Opus Dei”, en el capítulo I nos dice de su fundador: «En el fondo se desahogó conmigo de su frustración y puso verde a Montini, acusándole de masón y otras lindezas. Estaba muy excitado y previno que todos los que habían cooperado en esa elección [los cardenales que le votaron en el cónclave] se iban a condenar en el infierno.»

8 ) Credo de Pablo VI.- La nueva versión del Credo de Pablo VI en verdad no aporta mejor explicación que la que daban los catecismos. Es un bonito texto cuya intención se anuncia en el título: “Credo del Pueblo de Dios”. Decir “del pueblo de Dios” induce a pensar subliminalmente en el pueblo judío con primacía sobre Cristo. Así tenemos ahora la costumbre de referirnos a los judíos como los hermanos mayores; mayores en edad, mayores en virtud, en derechos, en… Y no son raros los católicos que afirmen que el Antiguo Testamento está sobre el Nuevo, cuando es todo lo contrario: El Nuevo es el que da justificación y sentido al Antiguo. La intención tenía que ser contraria puesto que, si así no hubiera sido, ¿para qué encomendar dos tercios de su redacción a su admirado maestro, y judío converso, Jacques Maritain? Converso a medias que nunca abandonó ni se retractó de su origen judío, o de su militancia y pensamiento comunistas.

9) Asesinato de Aldo Moro.- Podríamos hablar del caso Aldo Moro hasta colmar un copioso libro, pero nos limitaremos a los datos más significativos para el tema de este artículo. El Partido Demócrata Cristiano, del que Moro era líder, restauraba al homónimo que Mussolini proscribiera, probadas sus adherencias doctrinales y fácticas al comunismo y a la masonería. Recordemos, así de paso, que también la DC fue condenada por los papas Pío XI, León XIII, Pío X y Pío IX…

El 9 de mayo de 1978 aparecido ya el Fiat con el cadáver de Moro en el maletero, Monseñor Lefebvre conferenciaba en la Sociedad Teológica de la Universidad de Dublín. De su comentario a la terrible noticia recogemos estas palabras: «La Iglesia fue un baluarte contra los comunistas y, ahora, gracias a Pablo VI (ellos) son sus primeros hijos y, los demás, los repudiados. Aldo Moro era un agente de Moscú (…) al que se le había encargado lograr un compromiso entre los comunistas, el Vaticano y la Democracia Cristiana. Los comunistas en Italia ya están en el poder y eso sólo lo ha hecho posible la perseverante actividad de su agente Aldo Moro y del Papa Pablo VI.»

10) Once disparos.- Aldo Moro fue asesinado con once balazos en el corazón. Uno habría bastado pero fueron once; ni diez ni doce. Y en el corazón. Todo un ritual de signo esotérico. A la misa que ofreció Pablo VI, el 13 de mayo en San Juan de Letrán, extrañamente no acudieron ni la esposa ni los hijos, a pesar de su insistente solicitud. Sólo una representación formal… junto a políticos, autoridades más una nutrida fanfarria de banderas comunistas y del partido democristiano.

Podríamos seguir con Montini-Pablo VI porque este personaje es en la historia de la Iglesia un saco inagotable de sorpresas y tropelías. No obstante, entre sus seguidores y herederos quedan todavía nombres bien destacados en guillotinar la cabeza de la Iglesia, que es Cristo, y merecen también una mínima atención.

sábado, 15 de agosto de 2009

APOSTASIA: SÉRIE FOTOGRÁFICA PARA QUE NÃO ESQUEÇAMOS...

PRIMEIRO DEVE VIR A APOSTASIA (II TESS 2, 3-12)
O Beijo do Alcorão e Assis em 1986

Paramento indígena, Cruz invertida e festival imoral
Assis 2002 e rituais indígenas



União com a Sinagoga, mulher nua faz leitura e JP II bebe líquido oferecido a ídolos




Oração ecumenista, um turiferário conciliar e oração na "Igreja" luterana



Encontro com o deus budista, em Taizé e recebendo "benção" indígena


O Milagre do Conclave e a cilada «conclavista»


Por Araí Daniele

(correpondente do Coetus Fidelium em Portugal)


Pela razão que a Igreja é a depositária do Mysterium Fidei que concerne a vida de toda a humanidade, ao seu Chefe, Pedro, depois de uma plena profissão de fé e de amor, Jesus Cristo, unigênito Filho de Deus vivo, confiou-lhe as chaves para a instauração da Ordem do Pai na terra.
E o milagre deste poder divino no mundo humano se perpetua na pessoa do Pontífice Romano; o milagre da presença real de Cristo no Sacrifício do altar estende-se à Sede que existe para custodiá-Lo.

Eis o motivo da máxima devoção católica pela Sede de Pedro e tudo que lhe diz respeito, desde o conclave que elege o sucessor de Pedro até a pessoa do Papa. Por isto é sentimento genuinamente católico confiar no bom êxito de tal conclave, assim como inquietar-se durante a vacância papal, fato contingente devido à morte de um papa ou a outros fatos previstos pela Igreja.

O período de vacância representa uma hora escura para o mundo, porque nela falta por um tempo quem representa a autoridade divina, a Luz dos homens, instituída por Jesus Cristo para que no mundo sejam vigentes os princípios da Ordem de Deus Pai, que guiam ao bem social e à salvação.

São os princípios formadores da reta razão que guiam a reta vontade de todo homem em todo lugar e tempo histórico. Vejamos.

A disposição de toda criatura humana para o sacrifício, atitude religiosa comum a todos os povos de todas as épocas, encerra a consciência do débito original para com o Criador que determinou nosso estado presente e nosso fim último; é o compêndio inicial na visão da verdadeira Fé.

Essa incipiente fé essencial foi completada com o Sacrifício redentor dos homens querido pelo Pai e cumprido pelo Filho. E a Igreja, nascida deste sublime Sacrifício, foi instituída para celebrá-Lo em perpétuo.

Pode o católico perder a memória da continuidade deste luminoso milagre que Nosso Senhor continua a realizar para a salvação dos homens e do qual promanam os Sacramentos e tudo na Sua Igreja?
No entanto, nos tempos modernos, a percepção católica desse Milagre contínuo, o Sacrifício perpétuo de que já falavam os Profetas do Antigo Testamento e a cuja suspensão Daniel, confirmado por Jesus, indica o fim dos tempos, foi tragicamente obscurecida. E à perda dessa percepção sobrenatural por causa de uma devastadora pandemia do vírus naturalista, sobreveio também a perda da reta visão do natural e do sentido da vida, da morte, da dor, do juízo e da vida eterna.
Na tremenda crise que envolve a Igreja na hora presente, afim de que seja restabelecida a força e firmeza do pensamento católico, faz-se necessário a todo custo voltar à segurança das verdades fundamentais da Igreja, como esta da Igreja nascida do Sacrifício redentor, ao qual devemos aderir com plena consciência. Só neste impulso de reconhecimento do Sacrifício de adoração, de louvor, de expiação e de súplica é que se manifestam todas as virtudes e a verdadeira Fé, Esperança e Caridade cristãs.
Ao contrário, na apatia ou indiferença deste impulso mais alto, é que fenece na terra toda vida espiritual suscitada por Deus, até a hora fatal da suspensão do Sacrifício perpétuo, que é momento terminal da história.
Atenção, porém, de não seguir a tendência atual de transformar um débito, um dever em um direito, e considerando-se com direito aos sacramentos, consumi-los onde estes parecem estar. Pode isto agradar a Deus?
A razão do Primado da Sede Romana
O Primado de Pedro, o cargo papal, existe e subsiste a serviço da Doutrina que remonta sem nenhuma interferência ou descontinuidade na Palavra de Nosso Senhor, jamais de idéias ou visões de prelados modernos adaptados as teorias naturalistas que vicejam no mundo do falso progresso.
Como se sabe, às conquistas materiais corresponde o declino espiritual. Poderia este não afetar o Clero católico? Deste contínuo e fatal perigo poderiam os católicos perder a memória sem arriscar a própria fé?
Sobre o aspecto contingente da vacância não há dúvida, devido à natureza humana do Papa: é inevitável, os homens morrem e portanto quando um papa morre, todos os católicos reconhecem que a Santa Sé está vacante e para resolve-la a Igreja deve seguir normas de extrema segurança que foram desde sempre dispostos para impedir o terrível mal de uma tortuosa ocupação da Sé divina de Pedro por poderes que, também estes desde sempre visam subjugá-la num "aggiornamento" ao mundo presente.
Isto, que é impossível no plano divino, pode aparecer tal na esfera terrena com a eleição de um clérigo de inclinação modernista e maçônica, aberto aos planos de adaptação da Igreja aos tempos segundo as idéias mundiais de liberdade, igualdade e fraternidade, que desconhecem e desprezam a paternidade universal de Deus e o Sacrifício fraternal de Cristo.
Para lembrar o perigo e a inutilidade de conquistar o mundo inteiro, mas perder a alma, Jesus instruiu seus Apóstolos e discípulos. Onde estão? Ou será que seus supostos sucessores não vão por ai para exaltar justamente o falso progresso do mundo em evolução com os quais não só a Igreja, mas os fiéis deveriam se reconciliar? Quem precisa deles para reconhecer as novidades do liberal mundo moderno? No entanto, esta tem sido a lição sociológica e ecumenista dos vértices do Vaticano, que por isto se revelam, não só alheios à Palavra divina e portanto vãos, mas seus contrafatores e portanto apóstatas. E sendo a Fé a base da autoridade, estes, perdendo a Fé, renunciaram tacitamente a toda autoridade na Fé.
Por tudo isto, se era sentimento genuinamente católico confiar no bom êxito dos conclaves, agora é sentimento católico ainda mais forte reagir fortemente diante da presença de um falso pastor, de alguém aplaudido pelo mundo como representante de Deus em Roma, mas que promove uma religião que substitui o Sacrifício com um festejo.
O primeiro sentimento, portanto, que a Igreja seja governada por um autêntico Vigário de Cristo, em perfeita continuidade na fé católica, é legítimo na medida em que não esquece a finalidade de tal cargo, que é de confirmar a Fé íntegra e pura, recebida diretamente de Jesus Cristo.
Assim não é; desde a morte de Pio XII, a Igreja vive o inaudito drama de ver sua santa Doutrina acomodada ao mundo moderno para agradá-lo.
Sua causa foi a dúbia eleição do modernista Ângelo Roncalli, que assumiu o nome do antipapa João XXIII e convocou o Vaticano II para o tal "aggiornamento" da Igreja requerido pelo modernismo e pelas lojas.
Mas visto que esse modernismo é a ideologia a serviço da abertura da Religião ao diálogo com as idéias políticas e religiosas já reveladas contrárias à Igreja católica – como afirmou S. Pio X na sua Pascendi, (76): «definimos o modernismo síntese de todas as heresias» - pode-se afirmar, sem medo de errar, que João XXIII corrompeu a missão do Papado. De fato, ficou logo claro que o plano do Vaticano II convocado por ele mirava estabelecer as doutrinas ecumenistas condenadas pelo Magistério papal por estarem em ruptura com a Palavra evangélica.
A esta luz, visto que o cargo papal existe para confirmar a Fé íntegra e pura e por isto condenar o que lhe é contrario, como o modernismo, uma vez demonstrado que Roncalli e sucessores operaram para introduzir o modernismo na Igreja, eles não eram legítimos candidatos ao Papado, por não serem nem mesmo verdadeiros membros da Igreja de Cristo. E dai se pode e deve levantar o caso da ilegitimidade da eleição deles no conclave, assim como a grave questão de suas condenações, como ocorreu com o Papa Honório I, mais de quarenta anos depois de sua morte. Trata-se de «fato» que compete aos católicos distinguir e a um futuro Papa católico condenar canonicamente, embora sabendo que o papa precedente, Pio XII, promoveu estes prelados a altos cargos, ignorando que eram portadores dos vírus corruptores da Fé que ele ensinava infalivelmente.
Os homens podem ignorar o que Deus lê na mente de padres carreiristas. Mas quando os frutos que estes produzem são venenosos, seus planos se tornam reconhecíveis e compete então aos que os descobrem testemunhá-lo por caridade para com o próximo. O que Deus certamente quer e pelo qual a Igreja sempre se empenhou, é o máximo cuidado não só na escolha dos clérigos – dos quais muito depende a salvação das almas – mas da promoção destes para cargos de autoridade. Sobre tudo, quer a defesa do conclave pelo que este representa para a preservação da Fé. Dai o nome de evento fechado a chave para impedir toda violação sacrílega.
Os Conclaves não têm valor absoluto
A Bula «Cum ex apostolatus» do Papa Paulo IV é a explicação mais clara do valor relativo do conclave diante de suas condições absolutas, isto é que o homem eleito papa deve ter a fé católica e ser lúcido de mente, o que pertence também ao bom senso. Se alguém consegue enganar todos e a ser eleito papa sem professar a fé íntegra e pura da Igreja, a eleição é em si nula, mesmo se ratificada pela unanimidade dos cardeais, pela elevação desse eleito e pelo tempo em que ele é reconhecido papa devido ao fato de sua falta da fé verdadeira, como é o caso dos modernistas, ser ignorado por toda a Igreja militante. Sem a fé não se agrada a Deus e tanto menos se pode ser aceito para representá-Lo diante dos homens.
É verdade que o conclave goza da assistência do Espírito Santo, mas se nele é proposto como "papabile" um clérigo suspeito de fé desviada, a assistência se dirige aos filhos da Igreja, para que reconheçam o engano e a nulidade da eleição e possam resistir e reagir à obra de demolição da Fé que segue a essa falsa eleição, pedindo a eleição de um Papa católico.
Caso contrário, a negligência em reconhecer os promotores do que é contrário à Fé torna-se causa de castigo para uma Igreja exposta a enganos que provocam a sua demolição. Quem pode negar que essa ruinosa destruição começou a partir da morte de Pio XII e que deve necessariamente estar ligada à posição do cargo supremo para a defesa da Fé. O testemunho cristão olha para essa alta posição para enfrentar os poderes do mundo que visam, abusando do nome da Igreja, levá-la a desculpar-se e aceitar o que em dois mil anos, heresias, sacrilégios, falsos concílios e conclaves ilegais quiseram impor-lhe. É o trabalho dos falsos cristos e falsos profetas, previstos pelo Senhor, prontos a inocular na Igreja o vírus de cada falsa doutrina do mundo seu inimigo.
Como avaliar a aberração "conclavista"
Tem sido frequente ouvir que "conclavista" é quem visa um conclave no momento presente, isto porque considera que a Sé de Pedro foi ocupada por falsos pastores, que seriam antipapas, senão anticristos. Tal aspiração seria assim tachada de "conclavismo", uma aberração em relação ao conclave católico para a eleição de um papa, quando a Sede é vacante.
Como vimos, porém, há uma outra maneira de avaliar essa aberração, a saber, considerar um conclave como absoluto: isto é quem ali for eleito seria papa e não se discute mais, mesmo se depois se reconhecer nele um disfarçado modernista e filo-mação que se revelou tal pelas aberturas e novidades nesse sentido que introduziu na Igreja, de modo descrito há tempo nos mesmos planos maçónicos, que foram desvelados, onde se dizia que era preciso obter um papa que convocasse um concílio para transformar a Igreja segundo os princípios revolucionários.
Eis o que parece um dilema, mas não o é para o católico que segue os princípios da Igreja e não estes falsos princípios hoje dominantes.
Vejamos então onde reside a aberração do "conclavismo" partindo deste último que chamaremos "conclavismo conciliar". Para este, como se viu, a escolha de um papa num conclave é assistida sempre pelo Espírito Santo e portanto é questão decidida, este recebe de Deus o poder pontifical e não se pode duvidar dele em nenhum caso, duvidando da sua autoridade de origem divina, mesmo se ele demonstra intenção de mudar a Religião.
Deste modo a escolha do conclave teria valor absoluto, indiscutível.
Já se viu que esta posição é contrária não só a Lei da Igreja, na Bula de Paulo IV, mas ao bom senso que indica a falibilidade e malícia humana, da qual não estão excluídos nem mesmo os cardeais, como ficou claro.
Do outro lado temos o que se chama "conclavismo" para acusar os católicos que diante dos desvios escandalosos contra a Fé dos eleitos conciliares, proclamam, de acordo com a mesma Lei da Igreja, a necessidade de um conclave a realizar apenas se apresentarem as condições de envolver nisto o mundo que restou católico.
É verdade que em diversas ocasiões essa iniciativa já foi promovida com modalidades estranhas para descrédito de quem pensava suster o princípio da urgência de um conclave quando a Sede está vacante ipso facto, embora ocupada abusivamente. Mas isto não invalida o princípio em si.
Há pois "conclavistas conciliares", contrários aos princípios católicos, que acusam de "conclavismo" os católicos que testemunham o que se conhece como dever diante da Fé: que a Igreja tenha um Papa católico, que será contrário às atualizações modernistas do Vaticano II e volte a honrar o Culto do Santo Sacrifício, que é o fundamento de toda autoridade na Igreja de Jesus Cristo.
Errar nos princípios é falta incorrigível
"Quem erra salvando os princípios, pode ser corrigido; mas quem erra nos princípios é incorrigível" (S. Tomás).
Concluindo sobre qual seja o "conclavismo" deletério para a Fé e a Igreja, devemos considerar qual o Princípio do conclave católico.
Este é eleger um papa com fé católica, jamais um modernista.
No entanto tem sido comum confundir conclavismo com um geral sedevacantismo! Mas a aspiração de um conclave nas condições descritas de Sede vacante é não só legítima e católica, é dever.
Todavia é claro que a maneira de realizar isto pode ser em si ilegítima, imprudente, errada e desastrosa. Mas se trata de erro no plano contingente, dos efeitos, conseqüência do mal real, que se baseia de modo errado, mas no justo princípio. É claro que para os infelizes que dizem ser melhor ter um papa herege que nenhum (!), esta passa a ser a verdadeira calamidade, mais que a da Nave da Igreja desarvorada e sem bússola, que tem por causa a eleição nula de modernistas, que a levam ao abismo. Eis o princípio violentado, não no plano contingente dos efeitos, mas das causas. Visto que os "ismos" são em geral corrupção do princípio porque algo existe, temos aí duas interpretações contrárias do que seja "conclavismo". A primeira desacredita com o ridículo, na base de erros e besteiras contingentes, sedevacantistas que aspiram ver um conclave católico para eleger um papa que repudie o modernismo do Vaticano II.
A segunda que dá por certo que os conclaves que elegeram esses modernistas tem valor absoluto: senão a nave ficaria sem chefe, ainda que reconheçam que estes a levam para o abismo!
Francamente, quem pode duvidar que esse segundo é o nefasto "conclavismo" que dá ao conclave um valor divino. Basta ler a Bula de Paulo IV para compreender o calibre desse engano demoníaco.
Conclusão: é hora que se diga que o "conclavismo" a ser condenado é aquele que atribui a conclaves que elegeram, contra a Lei da Igreja, desviados modernistas e filo-maçons, como se fossem católicos, um valor absoluto, como validados por Deus e portanto divinos!
A primeira idéia pode ser ignorada, esquecida ou corrigida.
A segunda, da legítima eleição de Roncalli e sucessores conciliares para mudar a Igreja, é o "terceiro castigo" que Nossa Senhora profetizou em Fátima, a trágica "legalidade conclavista" que está demolindo a Igreja e poluindo o mundo, indicando tempos finais!
Salve Maria puríssima!